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DYLAN´S WORLD

"Fui à floresta viver de livre vontade, para sugar o tutano da vida. Aniquilar tudo o que não era vida. Para, quando morrer, não descobrir que não vivi". (Henry David Thoreau)

DYLAN´S WORLD

"Fui à floresta viver de livre vontade, para sugar o tutano da vida. Aniquilar tudo o que não era vida. Para, quando morrer, não descobrir que não vivi". (Henry David Thoreau)

Milhões a rodos

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O provérbio "o que é demais, é moléstia", serve perfeitamente para retratar a alienação geral que se tornou esta vitória da Selecção Nacional de futebol. Mas já que estamos numa onda de amor à pátria, só quando nos convém, claro, reparei que parece jorrar milhões de euros por todo o lado, desde o impacto que esta vitória trouxe à economia passando pelo encaixe da Federação Portuguesa de Futebol, dos seus patrocinadores, dos prémios dados aos atletas, até às mais que prováveis transferências que vão gerar lucros aos agentes de futebol. Aproximando-se uma possível multa aplicada ao país pela Comissão Europeia por incumprimento da meta do défice entre 2013 e 2015, proponho uma vaquinha entre estes heróis do pontapé na bola, para que não sejam os mesmos que andam constantemente de bolsos vazios, de cachecol e bandeira na janela, a pagar as contas públicas.

Cantemos todos

Farto de tanta desafinação entre políticos, farto de ruidosos justiceiros travestidos de juízes que acusam qualquer um de "corrupto", recebi uma melodia para os meus ouvidos: três anos depois do fado, a UNESCO considerou o cante alentejano Património Cultural e Imaterial da Humanidade. O Cante é um código genético alentejano, de uma região desprestigiada, esquecida pelos governantes, desertificada, mas amada e cantada nas tabernas de boa comida, nos campos bem cultivados e na labuta árdua das minas. Cantemos todos, em coro, pausadamente e saboreando a vida, porque é com orgulhos destes que ainda vale a pena ser português. 

Deportações urgentes

 

A petição que exige a deportação para fora dos Estados Unidos de um jovem com voz de cana rachada a que chamam "cantor", é um dos bons exemplos de cidadania do povo americano que é salutar copiar. Aproveitemos o embalo e desterremos com urgência aquelas personagens que indirectamente ajudaram a cavar o buraco em que se encontra o país: os mentores das fraudes bancárias no BPN e BPP, o político oportunista, o ruinoso gestor público, o especulador imobiliário, o empresário ganancioso e sem escrúpulos, o chico esperto que enche o bolso à custa do erário público  e os corruptos que se infiltram nas Câmaras ou chafurdam em processos de submarinos, sendo salvos por indignos advogados e magistrados. 

Profissão de sucesso

 

Dentro das novas profissões emergentes destaca-se uma - o participante de reality shows. Este espécime salta de programa em programa como muda de roupa. Dormem, comem e bebem de graça, proporcionam diariamente grandes números de circo - da estalada ao insulto - e habilitam-se a ganhar milhares. Como grandes empreendedores que são, gravam um disco assim que saírem da clausura ou publicam um livro, e dentro de algum tempo juntam-se à nata da sociedade em banquetes de caviar. Este estranho mundo do parasitismo ainda tem o condão de criar emprego indirecto: os comentadores, os analistas e os alcoviteiros das revistas cor de rosa.

O monte alegre

 

A criança, na sua doçura, chama-lhe "monte alegre". De facto, bem parece: um castelo encantado, barragens arrebatadoras com pequenas aldeias rodeadas de água por todos os lados, o rio Cávado, a Serra do Larouco, a esmagadora beleza do Parque Nacional da Peneda-Gerês,  o misticismo do Padre Fontes em Vilar de Perdizes e das "sextas-feiras 13", e a descoberta do  Santo Graal - a neve, que faz sorrir o petiz. Montalegre é assim, uma espécie de Éden, e se a vida nunca foi fácil nas Terras do Barroso não se lamenta pela interioridade nem se suplica nada ao poder central pois sabem que o caminho é  promover o turismo e a arte de bem receber.                                                                                     

Azedume angolano



Não percebo este azedume angolano em relação ao meu país, talvez os seus cidadãos e altos dirigentes se achem judicialmente inimputáveis. Deixem o Ministério Público fazer o seu trabalho, parem de ser vingativos e de terem a presunção de que são o abono de Portugal. Não esqueçam que existem outras economias emergentes que podem ser nossos parceiros estratégicos. Podemos estar na penúria mas não queiram ser accionistas da nossa dignidade, pois não aceitamos moralismos em forma de editoriais de jornal. Ainda somos uma democracia não militar que permite o associativismo, a liberdade de expressão, o direito aos sindicatos, à greve, uma soberania que despreza o trabalho infantil, a repressão policial e que não concentra a riqueza em meia dúzia de amigalhaços do Governo.

O sonho



Sonhei que o povo que adora futebol e novelas tinha-se revoltado, insurgido nas ruas contra a corrupção que grassa no país e abrange todos os sectores de actividade. Aproveitando a cobertura mediática da realização de eventos desportivos, o povo critica o despesismo do uso de dinheiros públicos na construção de estádios e pavilhões, futuros elefantes brancos. Contra os banqueiros que cavaram buracos na economia nacional e que foram tapados com o erário público, contra o chico espertismo político, contra a exterminação do estado social e contra a ignorância que entra em casa através de programas televisivos que promovem a estupidez em forma de "reality shows", pois agora até os queques trajam à forcado. Acordei, afinal não era em Portugal, era no Brasil...

 

A febre das raspadinhas

 

 

Não tenho nada contra quem quer tentar a sorte através das raspadinhas, mas quando isso se torna um vício tresloucado que se sobrepõe e impede outras necessidades básicas, é caso preocupante. A febre das raspadinhas é uma doença provocada por um vírus compulsivo, que provoca alucinações sobre enriquecimento fácil e pés-de-meia que não são mais nada do que acelerar o esvaziamento do depauperado bolso dos portugueses. Gaspar e raspar, duas realidades actuais que nos empobrecem com a ilusão de que tudo vai mudar para melhor.

A Torre de Babel

 

 

Não há dúvida de que a bandeira portuguesa hasteada de pernas para o ar nas comemorações oficiais do 5 de Outubro é mesmo o espelho actual do país. É a estapafúrdia abolição de mais um feriado nacional, é a ocupação e capitulação perante a troika, é um pedido de auxílio para quem possa dirigir esta Torre de Babel em que o país se tornou, e que se alastra ao federalismo europeu. Aceitam-se candidatos competentes, honestos, de preferência sem currículo político-partidário ou seguidismos.


Prioridades

 

Depois de inúmeros e fastidiosos directos televisivos da nossa selecção de futebol, do rico parque automóvel dos seus jogadores, do vergonhoso custo diário em terras polacas, dos seus inflamados egos e manias, decidi mudar de canal. Em boa hora o fiz, pois nauseado com tanta alienação encontrei alguém a quem chamar verdadeiramente de heróis: homens e mulheres que partem para fora do país sem pose de estado, à procura de trabalho, com o espectro da incerteza e a despedirem-se no aeroporto de familiares lavados em lágrimas. Lembrei-me das palavras ridículas do primeiro-ministro incentivando a emigração, que o desemprego era "uma boa oportunidade", e então pensei: quantos milhões poderiam ter sido canalizados para fomentar o emprego em vez de se terem construído estádios de futebol por ocasião do Euro 2004?!

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