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DYLAN´S WORLD

"Fui à floresta viver de livre vontade, para sugar o tutano da vida. Aniquilar tudo o que não era vida. Para, quando morrer, não descobrir que não vivi". (Henry David Thoreau)

DYLAN´S WORLD

"Fui à floresta viver de livre vontade, para sugar o tutano da vida. Aniquilar tudo o que não era vida. Para, quando morrer, não descobrir que não vivi". (Henry David Thoreau)

Quem semeia ventos colhe tempestades

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Vi o presidente do FC Porto e outros moralistas de pacotilha apelidar um dirigente do Benfica de "imbecil", e de "sacanagem", só por este desejar que o clube nortenho "perca por muitos", em competições internacionais. Fui reler a constituição para saber se apoiar os rivais seria algum dever fundamental, não foi preciso, bastou interpretar a história para concluir que "quem semeia ventos colhe tempestades", e lembrei-me que tal figura desejava ver "Lisboa a arder", que passou por uma morgue de um hospital e viu lá "grande parte do Benfica". Já tentou dividir o país entre norte e o sul, congratulando-se com uma pesada derrota europeia do Benfica, em Vigo, com a derrota da própria selecção nacional frente à Grécia, no Euro 2004, que nada disse quando a claque portista foi ao Aeroporto Sá Carneiro incentivar o adversário europeu do Benfica num jogo de acesso à Liga dos Campeões. Sem dúvida, um verdadeiro exemplo de hipocrisia patriótica.

O rato galego

 

 

Já conhecia várias espécies de ratos, no entanto, descobri recentemente uma nova: o rato galego. Gosta de futebol, e quando é alertado por roedores amigos foge para a Galiza em busca de caramelos, marisco e tapas, pois sente a proximidade dos agentes de exterminação. Como grande contorcionista de armadilhas que é, sai de Vigo para o seu habitat natural, junto de estádios de futebol e velhos tribunais, sempre acompanhado por ameaçadoras ratazanas que o protegem eternamente.

O contorcionista

 

É sempre delicioso ver alguém, o presidente do FC Porto, que baseou a sua defesa no caso "Apito Dourado" na argumentação de que as escutas telefónicas eram inconstitucionais, sendo ignoradas, vir agora transcrever uma delas para acusar o árbitro do último clássico, João Ferreira, de falta de idoneidade. Existem pessoas e organizações que são mesmo assim: fintam as leis, as regras, os regulamentos, a justiça, num espectáculo digno dos melhores contorcionistas circenses.

A poção mágica do campeão

 

 

O velho druida coloca o caldeirão em lume brando durante 30 longos anos. Numa taberna, numa Associação de Futebol local, numa Liga da qual já foi presidente, qualquer lugar serve para preparar a poção mágica. A mistela, de aroma frutado, com café e leite, faz campeões. Aqueles que a provam elevam a sua força ao máximo, tal como Asterix fazia, agigantando-se, não na Gália mas neste rectângulo à beira mar plantado onde as escutas telefónicas comprometedoras são declaradas inconstitucionais. Todos bebem - uns são milagrosamente convocados para arbitrar competições internacionais devido aos bons serviços prestados, outros debitam a sua reverência na comunicação social, os adversários sentem-se estranhamente apáticos, os órgãos jurisdicionais extrapolam e até reputadas donzelas sucumbem ao seu encanto.  À venda, com desconto, num supermercado perto de si, ou na pior das hipóteses, numa casa bem iluminada.

Desbloqueio arbitral

 

À tarde, no Marquês de Pombal, em Lisboa, um concerto de Stravinsky para celebrar a chegada da Primavera, à noite, no Estádio da Luz, depois da derrota do FCP para a Taça da Liga, o escarcéu, o habitual Sermão de Santo António aos Peixes proferido pelo padre do costume, por aquele que até agora tinha dito que "os árbitros têm sido uns heróis". Ele bem tenta curar a cegueira dos seus adeptos, ele bem tenta desvalorizar esta competição porque nunca a ganhou, ele bem sabe que a sua equipa e o seu treinador são medianos, ele bem sabe que sem o erro de arbitragem que lhe permitiu ganhar na Luz, para o campeonato, já tinha sido apeado da corrida ao título. Porque dizem por aí que o Estádio da Luz é um salão de festas para outros clubes, talvez por isso a UEFA o tenha escolhido para ser palco da final da Liga dos Campeões em 2014,  agora que houve desbloqueio arbitral e uma vitória honesta e justa.

Orgulho e preconceito

 

Enquanto no Aeroporto de Lisboa chegavam vitoriosos os atletas Francis Obikwelu e Naide Gomes provenientes dos Europeus de Pista Coberta em Paris, carregados de ouro e prata, sendo aclamados não só pelos sportinguistas, clube que representam, mas também por adeptos de outras cores que sentem o orgulho português, mais a norte, no Aeroporto Francisco Sá Carneiro, um presidente de um clube de futebol que se preparava para embarcar para Moscovo, reduz a sua equipa à dimensão regional através do cinismo que constantemente debita e acicatado pelos paus mandados de serviço.  Não é preciso ler nas estrelas, não é preciso decorar uns versos de José Régio, não é preciso apelar à justiça divina, não é preciso contratar os melhores advogados suiços e limpar a imagem para se saber que estamos perante um complexo de inferioridade retratado por Alfred Adler.

 

Patético desespero

 

Como é que alguém condenado pela justiça desportiva  - por um órgão jurisdicional que exerce o poder público delegado pelo Estado – continua a ignorar esse castigo, debitando ofensas contra outros clubes, confundindo responsabilidade desportiva com a civil? Não obteve absolvição desportiva e viu mesmo o seu clube do qual é presidente ser castigado, mesmo assim, com a presunção que lhe é conhecida, vem arvorar-se em paladino da honestidade por terem sido arquivados todos os processos criminais exigindo uma investigação que ele designa por “apito encarnado”. Tal satisfação só é comparável ao facto de as escutas telefónicas terem sido declaradas inválidas em processos disciplinares desportivos... O nervosismo do senhor Pinto da Costa é evidente: fechando-se a torneira dos milhões da Liga dos Campeões, a gestão do seu clube ficará seriamente ameaçada. Aliás, era interessante explicar aos seus consórcios o motivo do FC Porto apresentar resultados financeiros nada favoráveis, mesmo com as vendas lucrativas de jogadores. Em contrapartida, o seu maior rival que está na frente do campeonato, dá espectáculo, enche estádios, bate recordes em número de sócios, lança um canal televisivo, inventa novas formas de financiamento e, mais importante do que tudo, falta pouco para o Benfica voltar a deter os seus direitos televisivos e cedê-los pelo preço que efectivamente a sua gigantesca massa de adeptos merece.

 

Feios, porcos e maus

 

 

Aquilo que parecia ser uma homenagem a José Pedroto, 25 anos após a sua morte, pelo presidente do FC Porto, transformou-se num discurso incendiário com sinais de sobrenatural, desrespeitando a presença de amigos e familiares do antigo treinador em prol do odioso inimigo vermelho. Temo, porém, que o discurso perante tão estimado auditório serviu para expurgar pecados passados em que ambos foram unha com carne: a insubordinação perante Américo de Sá, no famoso "verão quente", os ataques insultuosos a Mário Wilson, a vergonhosa intimidação da Selecção Nacional, na estação de Campanhã, utilizada como arma de arremesso numa ridícula guerrilha Norte-Sul. A constante diabolização de "Lisboa a arder" valeu a união e o apoio mútuo entre sportinguistas e benfiquistas, na temporada de 79/80, onde venceram campeonato e taça, impensável nos dias de hoje. Porque movimentos descentralizadores, regionalistas, apesar de terem razão de existirem numa perspectiva de desenvolvimento, não são consentâneos com discursos brejeiros, revanchistas, que se traduzem num complexo de inferioridade bolorento.

Descredibilizando a política

Como é possível credibilizar a política em Portugal ao receber-se na Assembleia da República um dirigente de um clube de futebol castigado pela justiça desportiva e com direito a repasto à conta do erário público?

 

Bem sei que nem todos os deputados fizeram o papel de anfitriões mas mais grave se torna quando a bajulação acontece pela segunda vez misturada com facciosismo clubístico.

 

No entanto, através do acto eleitoral, o cidadão português jamais esquecerá a intimidade e o servilismo entre o poder político e o lobby desportivo, indisfarçável aos olhos da sociedade, desvirtuando o verdadeiro papel de um Parlamento e do estatuto de deputado

Tiques provincianos

A constante provocação do presidente do FCP em querer mudar o local da final da Taça de Portugal é só comparável à detestável obsessão que sente pela cor encarnada, esmagadoramente maior. Todos sabemos que o Estádio Nacional poderá não reunir todas as condições necessárias para eventos desta grandeza mas porventura não quererá o portista realizar a final no seu estádio, à semelhança do que fez na década de 80, à maneira cacique? Existem lugares que pelo seu misticismo e pela sua festa popular espontânea devem permanecer incólumes a qualquer ataque que espelhe o exacerbado provincianismo incendiário. Aliás, quando se vê os seus apoiantes a assobiarem o hino nacional e a festejarem vitórias insultando o adversário, já se percebe como uma pessoa condenada pela justiça desportiva continua a gozar de total impunidade neste País da treta.

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