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DYLAN´S WORLD

"Fui à floresta viver de livre vontade, para sugar o tutano da vida. Aniquilar tudo o que não era vida. Para, quando morrer, não descobrir que não vivi". (Henry David Thoreau)

DYLAN´S WORLD

"Fui à floresta viver de livre vontade, para sugar o tutano da vida. Aniquilar tudo o que não era vida. Para, quando morrer, não descobrir que não vivi". (Henry David Thoreau)

Coerência precisa-se

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Fiquei comovido com a defesa de José Sócrates feita por Miguel Guedes, músico, jurista e conhecido adepto do FC Porto, na coluna de opinião de um jornal. Até concordo com muita coisa do que escreveu, mas naquele registo habitual de que nem é carne nem é peixe, descobriu a pólvora: "ninguém está a salvo de ver a sua liberdade devassada". Em pranto, aponta o dedo aqueles que lincham os "mais elementares princípios de direito" por causa de ódios particulares. Critica ainda o "voyeurismo judicial" daqueles que "divulgam imagens de um processo judicial em curso" e repudia os justiceiros algozes e torcionários. Engraçado que no caso do roubo e da deturpação dos emails do Benfica o defensor já lavrou a sua sentença, também já se opõe à proibição do canal do seu clube em publicar segredos comercias e dados confidenciais provenientes dessa correspondência electrónica. Neste caso já não interessa o acesso ilegítimo, as violações do segredo de justiça e o jornalismo alcoviteiro. É caso para dizer: coerência precisa-se!    

Os renegados

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O Benfica é um clube extraordinário: permite que uma pessoa insolvente publique um livro, mesmo falando mal do emblema, de modo a ajudá-la a pagar o que deve! Enquanto o credor esfrega o olho, perdão, as mãos, escreve-se um livro baseado em correspondência electrónica roubada. O "Zé Cabra" da escrita aliou-se a um blogueiro doutorado em História mas parecem renegar factos passados, por isso eu sugiro um título para a 2ª edição do livro que acabe com tanto puritanismo: "Fruta para dormir, rebuçado e café com leite", "A creolina nos balneários", "O Famoso Guarda Abel", "Mandei um árbitro para o Brasil", "Fuga para Vigo", "Uma aventura no Centro de Treinos dos Árbitros e na casa de suas famílias",  "Largos dias têm quinhentinhos", "Sabes que o melhor está para vir quando te sentares num tribunal", e "Sei o que tens feito há mais de trinta anos"!

Telhados de vidro

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Depois do "funcionário do ano" ter divulgado emails mencionando a suposta existência de uma rede de influência do Benfica sobre estruturas de decisão do futebol para influenciar a arbitragem em Portugal, sabe-se agora que também o director-geral do FC Porto está a ser investigado por "factos susceptíveis de integrarem o crime de corrupção no fenómeno desportivo". O ditado nunca falha: "quem tem telhados de vidro não atira pedras ao do vizinho". Por outro lado, gostava de ver a reacção dos caçadores de bruxas do futebol português, aqueles coscuvilheiros e justiceiros da Internet dos tempos modernos que pirateiam criminalmente correio electrónico privado deturpando-o e publicando-o fora do contexto, bem como o destaque dado por alguma comunicação social que participa neste voyeurismo e só rasga as vestes consoante a cor da camisola do clube.

Quem semeia ventos colhe tempestades

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Vi o presidente do FC Porto e outros moralistas de pacotilha apelidar um dirigente do Benfica de "imbecil", e de "sacanagem", só por este desejar que o clube nortenho "perca por muitos", em competições internacionais. Fui reler a constituição para saber se apoiar os rivais seria algum dever fundamental, não foi preciso, bastou interpretar a história para concluir que "quem semeia ventos colhe tempestades", e lembrei-me que tal figura desejava ver "Lisboa a arder", que passou por uma morgue de um hospital e viu lá "grande parte do Benfica". Já tentou dividir o país entre norte e o sul, congratulando-se com uma pesada derrota europeia do Benfica, em Vigo, com a derrota da própria selecção nacional frente à Grécia, no Euro 2004, que nada disse quando a claque portista foi ao Aeroporto Sá Carneiro incentivar o adversário europeu do Benfica num jogo de acesso à Liga dos Campeões. Sem dúvida, um verdadeiro exemplo de hipocrisia patriótica.

Digam 34!

Primeiro apareceram os profetas da desgraça - a crise no BES iria arrastar o Benfica para uma época de pesadelo. Depois apareceu Lopetegui, um seguidor da fina ironia e especialista em latim, que acabou por dar os parabéns a todos os que contribuíram para que o Benfica fosse bicampeão. Concordo, o colinho dos adeptos foi fundamental: em Belém, no Sado, nas tortuosas serranias da Freita, no mar revolto das Caxinas e no jardim do Atlântico. Quanto aos conselheiros, não matrimoniais, aqueles que deram ensinamentos para não se festejar em Guimarães, também tinham razão. Há certos logradouros que são pequenos e tacanhos demais, então celebrou-se de norte a sul do país, em Angola, Moçambique, Timor, Cabo Verde, Guiné, Toronto, Paris, Genebra, África do Sul e Rio de Janeiro. Não custa nada, digam lá 34!

Irmãos desavindos

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Eu sei que nunca serão os tempos de Cosme Damião e Francisco Stromp, dos irmãos que raramente estavam desavindos, eu sei que talvez nunca haverá homens apaziguadores como Borges Coutinho e João Rocha, mas a atitude do actual presidente do Sporting em cortar relações institucionais com o Benfica é triste e tacanha, tudo porque os encarnados não condenaram as atitudes dos seus adeptos, faixas e cânticos insultuosos aquando de jogos entre as duas equipas. Suponho que para este senhor as faixas verdes têm mais bom gosto, os cânticos e as atitudes dos seus adeptos são mais poéticos e elegantes, isto para alguém que recentemente mostrou a sua classe ao considerar o futebol português como  um "ânus mal cheiroso", que esteve por um triz de despedir o treinador através de uma inédita "justa causa" e que interpôs acções judiciais contra a antiga administração do clube. Persiga-se os hooligans, todos aqueles que destroem o desporto, de norte a sul do país, e outros que vêem de forma encapotada cultivando a semente do ódio.

 

Honra e glória

 

 

 

 

 

Está de parabéns o maior clube português. Fundado em 28 de Fevereiro de 1904 numa farmácia dos arredores de Belém, o Sport Lisboa e Benfica comemorou recentemente 106 anos. Durante muito tempo foi a bandeira do país, dos emigrantes, do êxodo colonial. Interromperam-se guerras em África para acompanhar os seus jogos porque Eusébio e Coluna cativavam admiradores das duas facções beligerantes. O vermelho arrebatador, de paixão, de homens extraordinários como Manuel Goularde, Cosme Damião, Joaquim Bogalho e Borges Coutinho. O Benfica teve dirigentes perseguidos pela ditadura e o primeiro hino do clube foi alvo de censura. Permanentemente de casa às costas, viu tardiamente o seu estádio ser construído apenas com sacrifício dos sócios, da solidariedade, imagem de marca dos estratos sociais mais humildes e de raízes operárias. O mais popular dos clubes portugueses caracteriza-se pelo ecletismo das suas modalidades. A mística - entranhada na pele de figuras como Carlos Lisboa, António Livramento, Eusébio, Guttman e José Maria Nicolau. Actualmente, o clube do mundo com mais sócios, desperta ódios e invejas, mas ao mesmo tempo consegue ser um expoente de modernidade pois desenvolveu um canal televisivo, uma Fundação, construiu parcerias estratégicas e um estádio novo.

 

 

 

 

 

 

 

Jornalismo faccioso

Há um jornal semanário do Porto que gosta de reflectir sobre os problemas do norte de Portugal e defende a regionalização administrativa. Sem dúvida que é um projecto nobre, no entanto, os valores da "pluralidade, rigor, isenção e honestidade" que tanto apregoa, deveriam ser usados em todas as situações e não só aquelas em que "malhar" em Lisboa é a palavra de ordem. Por exemplo, quando os seus iluminados opinadores ironizam com a ajuda da Câmara Municipal da capital ao Benfica, convinha lembrarem-se da condenação do ex-presidente da Câmara Municipal do Porto por beneficiar o Boavista FC ou da nebulosa execução do Plano Pomenor das Antas em que o FC Porto foi parte envolvida. Aliás, era bom dissertarem sobre o Centro de Treinos Olival-Crestuma e como foi parar às mãos desse mesmo clube. E se o futebol é um tema gasto, uma leitura às derrapagens financeiras na construção do Metro do Porto, da Casa da Música, e na ampliação do Aeroporto Francisco Sá Carneiro, seria interessante. Como ninguém lhes deu foral para falarem em nome do norte, só posso pensar que essa maneira complexada de fazer jornalismo é uma forma de promoção pessoal e visibilidade que deveria ser canalizada para eventos que substituíssem a perda do Red Bull Air Race afim de evitarem o perigo de se tornarem num jornal local.

Més que un club

 

 

Desportivamente falando, o Barcelona é conhecido pelo lema "més que un club" - mais que um clube. Se quiséssemos fazer um paralelismo no resto do mundo chegaríamos à conclusão que também ficaria bem atribuir este epíteto ao SL Benfica. Não que a instituição portuguesa tenha intuitos regionalistas, mas antes, a representação de um povo, do ser português, a personificação do fado lusitano, da saudade e, do emigrante que não renega as suas origens. Os catalães ajudam anualmente a Unicef, enquanto que o Benfica, através da sua recém-criada Fundação, associou-se à ONU, canalizando a receita do Jogo Contra a Pobreza para as vítimas do Haiti. Porque o Benfica tem uma matriz popular, social, solidária, à imagem da epopeia na construção do seu antigo Estádio, através de Joaquim Bogalho. Para se ser "mais do que um clube", é imprescindível deixar marcas fora das "quatro linhas", numa época em que o egoísmo e a crise financeira internacional assumem proporções gigantescas sem que o Estado tenha capacidade de resposta.

Patético desespero

 

Como é que alguém condenado pela justiça desportiva  - por um órgão jurisdicional que exerce o poder público delegado pelo Estado – continua a ignorar esse castigo, debitando ofensas contra outros clubes, confundindo responsabilidade desportiva com a civil? Não obteve absolvição desportiva e viu mesmo o seu clube do qual é presidente ser castigado, mesmo assim, com a presunção que lhe é conhecida, vem arvorar-se em paladino da honestidade por terem sido arquivados todos os processos criminais exigindo uma investigação que ele designa por “apito encarnado”. Tal satisfação só é comparável ao facto de as escutas telefónicas terem sido declaradas inválidas em processos disciplinares desportivos... O nervosismo do senhor Pinto da Costa é evidente: fechando-se a torneira dos milhões da Liga dos Campeões, a gestão do seu clube ficará seriamente ameaçada. Aliás, era interessante explicar aos seus consórcios o motivo do FC Porto apresentar resultados financeiros nada favoráveis, mesmo com as vendas lucrativas de jogadores. Em contrapartida, o seu maior rival que está na frente do campeonato, dá espectáculo, enche estádios, bate recordes em número de sócios, lança um canal televisivo, inventa novas formas de financiamento e, mais importante do que tudo, falta pouco para o Benfica voltar a deter os seus direitos televisivos e cedê-los pelo preço que efectivamente a sua gigantesca massa de adeptos merece.

 

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