Rebelião de palavras
A detenção de vários activistas políticos em Angola "suspeitos de prepararem um golpe de Estado" fez-me lembrar tempos do Estado Novo, em Portugal, onde um ajuntamento de três pessoas já era considerado uma manifestação, por isso tinha de ser reprimido e neutralizado. Nesta rebelião de palavras, também não faltam jornalistas condenados por "crimes de difamação" por fazerem críticas a membros do Governo, a que se juntam activistas de Direitos Humanos, numa clara violação de liberdade de expressão e de imprensa. Parece que a "democracia" angolana não convive bem com a insatisfação do povo, com a resistência à brutalidade policial no país, com a desigualdade social, com a denúncia de acumulação de riqueza por parte de "amigalhaços" do Governo, com desalojamentos colectivos forçados e demolições de casas que dão lugar a luxuosos condomínios, com a elevada taxa de violência doméstica, com a corrupção que aumenta à medida que o preço do petróleo desce.
