Políticas sectárias

Pensei que o surgimento do PAN, o partido das Pessoas, dos Animais e Natureza, pudesse trazer uma lufada de ar fresco à política portuguesa. Fiquei desconfiado quando foi aprovada a ridícula lei que permite a presença de animais de estimação em restaurantes da qual este partido foi o projectista, mas tive a certeza do seu sectarismo quando o seu deputado afirmou querer criar uma "espécie de Serviço Nacional de Saúde para animais", isto quando se põe em causa a sustentabilidade futura do SNS, a falta de recursos humanos e de investimento público na saúde. António Arnaut, "o pai do SNS", deve ter dado voltas ao caixão a ouvir tamanha barbaridade, assim como as pessoas que ainda não têm acesso aos cuidados de saúde pública devido a desigualdades territoriais, os que aguardam meses por cirurgias e pelos desconcertantes tempos de espera nas Urgências.