Da dignidade
Podia tratar-se daquela empresa de climatização, das caldeiras, mas não, quem aqueceu o ambiente foi Juncker, o presidente da Comissão Europeia, ao dizer, contristado, que a "troika pecou contra a dignidade dos portugueses e dos que atravessaram um vale de lágrimas". Logo surgiu o chefe do Governo e os seus lacaios contestando pois "nunca permitiria que a dignidade de Portugal e dos portugueses estivesse em causa". Estranho a faceta deste nosso político, deve ter-se esquecido que ajudou à entrada da troika, não se lembra do milhão de honrados desempregados que criou, dos briosos 300 mil portugueses que obrigou a emigrar, de milhares de beneméritas lojas e restaurantes que ajudou a fechar por causa do aumento do IVA e subida das rendas. Já que nos proporcionou uma vida tão digna, de pobreza envergonhada, de grande cargas fiscais, de cortes de salários e subsídios de natal, já que deu o ensejo aos pais, aos avós, de passarem a ajudar monetariamente os filhos e os netos, não seria também um exemplo de grande dignidade se apresentasse a sua demissão?

