Assalto ao aeroporto
Numa noite fria de Novembro, os "special one" do jornalismo, elementos da Autoridade Tributária e da PSP irromperam pelo aeroporto da Portela para deter um homem proveniente de Paris. Pelo aparato, pelas constantes fugas de informação, pelo jornalismo alcoviteiro, pensei tratar-se de um perigoso cadastrado, ou talvez daqueles gestores que levaram bancos e empresas de telecomunicações à falência. Mas não, era o ex-primeiro-ministro José Sócrates. Neste circo de violações do segredo de Justiça, lamento o facto do suposto bandido não ter fugido para a Galiza, apresentando-se voluntariamente no dia seguinte, no Campus da Justiça, poupando-se a tamanha humilhação. Mas nem havia necessidade: a menos de um ano das eleições legislativas, o conveniente julgamento sumário já foi feito por directores de jornais, sub-directores de informação, ressabiados, pelos "jotinhas" que nunca largaram as fraldas do partido e teóricos sobre criminologia que ignoram que um cidadão, até prova em contrário, é inocente.

