A tragicomédia venezuelana

O filósofo espanhol Ortega Y Gasset disse um dia que "ser de esquerda é como ser de direita, uma das maneiras que o homem pode escolher para ser um imbecil". Talvez seja este o ponto de partida para falarmos da situação da Venezuela esquecendo ideologias políticas e a cassete anti-imperialista. Claro que existe a cobiça pelas suas imensas reservas de petróleo por americanos, russos e chineses, mas alguém acha legítimo um governo torturar e silenciar opositores, calar a comunicação social, controlar o sistema judicial e efectuar detenções arbitrárias. O chavismo abriu a porta para a destruição do país, desgraçados anos onde o petróleo financiou tudo, programas sociais e subsídios para chegarmos ao ponto de o salário mínimo pagar apenas um rolo de papel higiénico. Que superioridade moral tem alguém para defender um regime suportado por fraudes eleitorais, onde 90% da população não consegue pagar pela alimentação diária, onde 60% vive na pobreza extrema e onde 10% já fugiu do país? Sem medicamentos, sem água potável, sem bens essenciais, com uma galopante inflação, com fome, miséria, deita-se sal nas feridas expropriando-se terras, empresas e cunhando nova moeda. Mas se mesmo assim a Venezuela continuar a ter um regime fantástico, segundo os "bolivarianos e guevaristas" da nossa praça, faça-se a permuta com estes e repatriem os luso-descendentes.
