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DYLAN´S WORLD

"Fui à floresta viver de livre vontade, para sugar o tutano da vida. Aniquilar tudo o que não era vida. Para, quando morrer, não descobrir que não vivi". (Henry David Thoreau)

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"Fui à floresta viver de livre vontade, para sugar o tutano da vida. Aniquilar tudo o que não era vida. Para, quando morrer, não descobrir que não vivi". (Henry David Thoreau)

Qui | 07.08.08

Dissertação de José Pacheco Pereira sobre o "Janeiro"

Dylan

"O Primeiro de Janeiro foi o meu primeiro jornal, como era normal para a classe média portuense que o lia, assim como o Comércio do Porto, e que considerava o Jornal de Notícias demasiado sensacionalista. Era o Janeiro e o Notícias, como se pedia nas bancas, sendo que do Notícias se dizia que se se dobrasse "escorria sangue" dadas as notícias de acidentes e crimes que lhe enchiam as páginas. O Comércio era muito popular a Norte, no Minho, no Douro, pela rede muito fina que tinha de correspondentes locais, cujas notícias são muitas vezes a única maneira de esboçar uma história local para pequenas vilas e aldeias. O Janeiro, pelo contrário era uma instituição respeitável, muito parecido com a cidade do Porto, no seu trajecto de jornal liberal, burguês, moderadamente oposicionista, ligado aos interesses industriais do Norte e ao comércio portuense que servia a cidade e o seu hinterland duriense. Era também (aqui com o Comércio, cuja página literária  rivalizava com a do Janeiro ) um jornal com uma página literária controlada por gente ligada à Presença na qual se podiam encontrar, no meio de um amarelo e vermelho que lhe dava cor, excelentes artigos sobre livros, ideias e correntes. Havia também notícias, uma página para os cinemas e os teatros em que se podia perceber que filmes havia e que tipo de filmes eram, e na última página o Reizinho, o Príncipe Valente e o Coração de Julieta (que também aparecia em tira no corpo do jornal), numa secção de banda desenhada igual à dos grandes jornais americanos.

 

Se isto não era um jornal a sério, eu não sei o que é um jornal a sério. Por isso, parte de mim vai com o Primeiro de Janeiro para o túmulo do tempo, e tenho dificuldade em identificá-lo com aquilo que se publica hoje com o mesmo título. Mas a vida é assim."

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