Vidas asfixiadas
É tão conveniente apontarmos uma personagem como José Sócrates para descarregar as nossas frustrações pessoais e políticas. Dizem os justiceiros de taberna que "por ter estado preso é porque roubou", mas deve haver algum equívoco: o único primeiro-ministro que me confiscou metade do subsídio de Natal, através de uma sobretaxa no IRS, em 2011, ainda está em funções. O mesmo se queixam os trabalhadores do Estado e pensionistas que ficaram sem os dois subsídios, em 2012. Já nem falo na redução do meu salário devido ao aumento das contribuições para a Segurança Social, a redução dos dias de férias e a eliminação de feriados. Entre cortes no subsídio de desemprego e de doença, presenciei o aumento das taxas moderadoras, do preço dos transportes, do IVA da electricidade, do gás, de bens e serviços, e do maldito IMI que torna a vida dos cidadãos ainda mais asfixiada. Só sei que Sócrates nunca me chamaria piegas, nunca me mandaria emigrar, nunca diria que "estar desempregado pode ser uma oportunidade", jamais chegaria à brilhante conclusão que "Portugal só sai da crise empobrecendo"!
