Justiça desprestigiante
Pensei que a justiça portuguesa fosse única a ter sentenças controversas e incompreensíveis. No caso do petroleiro Prestige, afundado na costa da Galiza, há 11 anos, os espanhóis também se juntam à desgarrada. O veredicto é simples: não há culpados - nem políticos, nem petrolíferas, nem armadores, nem os responsáveis pela inspecção do navio tiveram algo a haver com a maré negra que arrasou o ambiente e a economia da costa norte espanhola. Lembrei-me da nossa tragédia de Entre-os-Rios onde a culpa também morreu solteira. A justiça ibérica deixou de ser um refúgio dos desafortunados para passar a a ser um jogo desprestigiante onde há mais probabilidades de se perder do que ganhar.
