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DYLAN´S WORLD

"Fui à floresta viver de livre vontade, para sugar o tutano da vida. Aniquilar tudo o que não era vida. Para, quando morrer, não descobrir que não vivi". (Henry David Thoreau)

DYLAN´S WORLD

"Fui à floresta viver de livre vontade, para sugar o tutano da vida. Aniquilar tudo o que não era vida. Para, quando morrer, não descobrir que não vivi". (Henry David Thoreau)

Reacções vagais

 

O desmaio de Cavaco Silva nas cerimónias do Dia de Portugal é o retrato perfeito do país, à beira da derradeira síncope, numa espécie de Torre de Babel onde ninguém se entende. Cidadãos contra cidadãos - aqueles que livremente se podem manifestar e os outros que acham que uma manifestação tem dias apropriados. Militares amordaçados e ironicamente em sentido perante aqueles que lhes têm sonegado os rendimentos, o patriotismo saloio daqueles que insistem em aclamar os que estavam no palanque, os senhores da austeridade que provocam hipotensão, visão turva, palpitações e vómitos, essas sim, verdadeiras reacções vagais.

Os filhos do cavaquismo

 

Os filhos do cavaquismo não gostaram de ver o ex-primeiro-ministro José Sócrates apontar a dedo os diabretes do Presidente da República. Insurgem-se na televisão, nos blogues, nos jornais e berram para quem os quiser ouvir. Escavacados por escândalos bancários, pelo facilitismo no crédito, pelo "tachismo", pelo maior número de anos consecutivos que estiveram num governo, por sugarem a torneira dos milhões da União Europeia, falam do anterior executivo com desdém, como não tivessem culpa no cartório pelo estado a que chegou o país. Os herdeiros destes filhos não melhoraram: querem "ir mais além" das metas da troika, mandam-nos "ser menos piegas", emigrar, filosofam que o desemprego "é uma oportunidade", roubam salários a privados através de impostos, a reformados e a funcionários públicos. 

Os indignados

 

Parece que anda muita gente indignada com o regresso de José Sócrates a Portugal, nomeadamente a sua futura participação num programa televisivo. São os mesmos que decidiram votar à direita e que agora se queixam da deterioração das condições de vida proporcionadas por este Governo, são os correligionários de esquerda que inviabilizaram o PEC IV (Programa de Estabilidade e Crescimento) e facultaram a entrada da "troika" em Portugal, são os mesmos que organizam petições para calar alguém pois a democracia é só quando lhes convém, são os mesmos que usam a cegueira partidária para diabolizar o legado do ex-primeiro ministro mas esquecem-se das asneiras dos outros que governaram o país desde os anos 80.

O ano das nossas vidas

 

Quando vejo as pessoas a discutirem acaloradamente futebol -  se foi penálti ou fora de jogo -, quando devoram as revistas em busca de saber quem foi expulso dos "reality shows", de coisas supérfluas, apetece-me mandá-las para Marte, só com bilhete de ida, agora que abriram as candidaturas para novos colonizadores. Esta gente não faz parte deste mundo, provavelmente não sabem que 2013 será o ano decisivo das nossas vidas, da própria sobrevivência social,  se suportaremos a abjecta carga fiscal em forma de novas tabelas de IRS com o disfarce dos duodécimos.

Os dias do fim

 

Provavelmente no dia 22 de Dezembro já não vão ler estas linhas. O mundo acabou um dia antes, é o fim desta coligação política, quer Cavaco Silva queira ou não, é o fim desta pobreza que consome o país, o fim do desemprego, do constante assalto aos nossos salários em forma de impostos, de diluições. É o fim da inércia do Tribunal Constitucional, da justiça cega e muda, do desmembramento das políticas sociais, do esmagamento da função pública.  O país que está à venda, a retalho, vai desaparecer e com eles todos os chicos espertos que nos levaram ao fundo. Só assim será possível a desejada refundação - moral - deste país noutra parte do Universo.

Louçãmetria política

 

Goste-se ou não de Francisco Louçã, dos valores políticos que defende, a sua saída do Parlamento vai deixar saudades. O Hemiciclo perde um deputado de grande inteligência, de irreverência, de memoráveis e acesos debates em modo diaconal que irritavam vários primeiros-ministros mas que divertia os cidadãos, dando um ar cómico à política. E, no fim, um exemplo de grande harmonia e equilíbrio, aquilo a que chamo de Louçãmetria: não servir-se da política, sair sem qualquer subsídio ou reforma e retornar ao ensino da economia.

O castigo das urnas

O resultado das eleições regionais açorianas é um prenúncio para o que se irá passar nas Autárquicas do próximo ano. De facto, se bem que às vezes o desespero dos cidadãos os leva a querer fazer justiça pelas próprias mãos, é nas urnas que se deve castigar este Governo, os políticos e intrujões armados em génios fiscais que prometem muito mas não passam de um bluff recheado de austeridade. Mentes brilhantes que só sabem responsabilizar o anterior Governo mas não vêem que nos estão a atirar para o precipício grego.

A Torre de Babel

 

 

Não há dúvida de que a bandeira portuguesa hasteada de pernas para o ar nas comemorações oficiais do 5 de Outubro é mesmo o espelho actual do país. É a estapafúrdia abolição de mais um feriado nacional, é a ocupação e capitulação perante a troika, é um pedido de auxílio para quem possa dirigir esta Torre de Babel em que o país se tornou, e que se alastra ao federalismo europeu. Aceitam-se candidatos competentes, honestos, de preferência sem currículo político-partidário ou seguidismos.


Válvula da paciência



O Governo parece meia dúzia de soldados que estão a marchar com o passo trocado num pelotão, mas acham que eles é que estão bem. Mesmo com as críticas de todos os quadrantes, até mesmo dentro da coligação, o Primeiro-Ministro cisma com um desígnio salvador sobre a forma de um piroso patriotismo político. Estas "troikas e baldrocas" repletas de austeridade mostram que este é o caminho para a desagregação sócio-económica do país. A panela vai ebulir, ao mesmo tempo que nos chamam de piegas e mansos. É uma questão de tempo até que a pressão no interior se torne insustentável e a válvula da paciência liberte os nossos instintos mais primários.

Sorvedouros público-privados

 

Parece que alguém disse que a parceria entre o FC Porto e a Câmara Municipal de Gaia é um sucesso. Eu compreendo. Quando uma Câmara se endivida ruinosamente para construir o Centro de Estágios do Olival afim de o arrendar ao clube de futebol por uns míseros 500 euros mensais, e que constitui uma inútil fundação de dinheiros públicos para gerir esse centro de treinos, só posso concluir que se trata da fina ironia a que estamos habituados. Extingam-se estas fundações público-privadas, autênticos sorvedouros do erário público, acabe-se com esta promiscuidade entre a ambição política desmedida e o futebol.

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