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DYLAN´S WORLD

"Fui à floresta viver de livre vontade, para sugar o tutano da vida. Aniquilar tudo o que não era vida. Para, quando morrer, não descobrir que não vivi". (Henry David Thoreau)

DYLAN´S WORLD

"Fui à floresta viver de livre vontade, para sugar o tutano da vida. Aniquilar tudo o que não era vida. Para, quando morrer, não descobrir que não vivi". (Henry David Thoreau)

Pimbalhada à moda da Madeira

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Séculos depois da cristianização regressa uma doutrina homónima na Madeira e que rapidamente alastra ao continente. A suposto da "promoção turística" da ilha, como se a Madeira não fosse reconhecida desde há muitos anos como destino de excelência, surgem inúmeros fiéis convertidos à "ronaldomania" que não admitem o quão ridículo é rebaptizar o Aeroporto da Madeira com o nome do futebolista. Compreendo que em ano de eleições autárquicas isso traga alguns votos, mas será que dentro da magnífica história do país não haveria um nome mais indicado do que esta "pimbalhada" política e populista?  

O amor está no ar

Soviet President Leonid Brezhnev and East German l

 

Um deputado espanhol deu um beijo na boca a um colega no meio do Parlamento do seu país. Talvez inspirado pelo regabofe, o deputado José Manuel Coelho despiu-se no plenário do Parlamento Regional da Madeira em protesto contra o facto de ter o vencimento penhorado. O amor está no ar, o hemiciclo transformou-se num local de afectos e de paixões platónicas. Se o carinho continuar, chegarará o tempo em que veremos António Costa e António José Seguro a protagonizarem um beijo fraternal socialista, ao estilo Brezhnev e Honecker. Até poderemos ver Paulo Portas a fazer o mesmo com Freitas do Amaral, com Manuel Monteiro ou com Daniel Campelo, o mentor do "Orçamento do Queijo Limiano". Isto sem esquecer um provável reencontro afável entre Daniel Oliveira e Catarina Martins ou a meiguice entre Passos Coelho e António Capucho.

 

Filhos de um Deus menor

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Depois do saudoso Ministro das Finanças, Vítor Gaspar, ter recorrido à chuva para justificar a desaceleração do investimento em Portugal, no primeiro trimestre de 2013, é agora a vez do estreante ministro da Administração Interna, João Calvão da Silva, dizer, em Albufeira, que a "fúria demoníaca da natureza não foi nossa amiga", pois Deus proporciona uns "períodos de provação". Antes, por ocasião das legislativas, já Passos Coelho mostrava aos eleitores um crucifixo que guardava religiosamente no  bolso. Há uma forma desculpabilizante de fazer política em Portugal, onde os governantes apelam à fé e os estadistas entregam o destino do país ao criador do Universo, enquanto nós, comuns cidadãos, só temos direito a sermos tratados como filhos de um Deus menor.

O cheiro de Belém

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Cavaco Silva diz que o caso das dívidas de Passos Coelho são "lutas político-partidárias" agravadas pelo "cheiro de campanha pré-eleitoral". Em Belém, nada de novo, o aroma é conforme a direcção do vento e o sonho laranja de "uma maioria, um governo e um presidente" nunca fez tanto sentido. O homem que nunca se engana e raramente tem dúvidas até disse que os portugueses podiam confiar no BES. O homem de "bom senso que sabe distinguir jogadas político-partidárias" desenha agora o perfil para o próximo Presidente da República, mas já não teve o mesmo olfacto quando criou a controvérsia das supostas escutas do gabinete de Sócrates à sua presidência. Sabemos que para sermos mais honestos do que ele temos que "nascer duas vezes", que a sua pensão não vai dar para pagar as despesas, que não tratou de forma condigna José Saramago e Carlos do Carmo, só não sabíamos que este homem é aquilo que um presidente não deve ser e dizer.

O país está melhor

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Primeiro foi o inenarrável líder da bancada parlamentar do PSD, Luís Montenegro, ao dizer, no ano passado, que "a vida das pessoas não está melhor mas o país está muito melhor"; recentemente foi António Costa dizer que hoje o país está numa situação "muito diferente" do que em 2011. E se ainda posso compreender, embora incrédulo, as palavras do secretário-geral do PS, ditas num contexto onde estavam investidores chineses, é degradante assistir a este aproveitamento semântico e consequente arremesso político de direita. Não percebo como um país está melhor ao apresentar perto de 30% da população em risco de pobreza ou exclusão social, com metade dos desempregados sem receberam subsidio de desemprego ou rendimento social de inserção, com emigração, pobreza, desigualdade e desmantelamento dos serviços públicos. Claro que há melhorias: na máquina partidária, na militância, nos boys, nas assessorias e na carteira dessa rede clientelista.

Um político conto de Natal

 

Ebenezer Scrooge é um velho avarento retratado por Charles Dickens na obra "Um conto de Natal" que não quer saber do Natal para nada, quase exigindo que os seus empregados trabalhem nesta data. O actual primeiro ministro parece ter copiado o estilo do senhor, é carrancudo, arrogante, exigindo que se trabalhe mais meia hora, impondo sobretaxas sobre o subsídio de Natal, extirpando a função pública e os pensionistas. A não ser que os fantasmas de Scrooge decidam assombrar este governo para a sua obrigação social ou vamos ter o pior Natal de sempre. Gostava de vê-lo chorar copiosamente como fez a ministra italiana quando anuncia o aumento das taxas moderadoras na saúde, quando eliminar alguns feriados, quando obriga ao pagamento das ex-SCUT, quando aumentar a taxa do IVA, quando rebentar com a economia e aumentar o desemprego.

Prenúncio de uma revolução

 

 

O ministro da Solidariedade e Segurança Social, Pedro Mota Soares, disse que este Governo vai ficar na História. Concordo, em menos de quatro meses, esta coligação regrediu mais de 35 anos tornado obsoletas as conquistas de Abril e cuspindo na própria Constituição. O seu líder esquece-se que não aprovou o PEC 4 por este "não potenciar o crescimento mas impor mais sacrifícios aos membros mais vulneráveis da sociedade". Travestido de guru da economia, chegou à brilhante conclusão de que os impostos têm um efeito recessivo sobre a mesma, mas chegando ao poder, mudou imediatamente de discurso e encontra na função pública o bode expiatório para a sua incompetência. Está-lhes no sangue: alguns políticos profissionais mentem com quantos dentes na boca, até que um dia, o povo, cansado de ser esmifrado, se inspire na Revolução Francesa e cobre em juros aquilo que lhes é constantemente sonegado. 

Colossal extorsão

 
Este povo que castigou 6 anos de herança socialista é o mesmo que consente a imposição de um novo imposto extraordinário. Como se o seu fado fosse aguentar com eternas cargas fiscais e acreditar em patranhas governativas do estilo viajar em classe económica para "dar o exemplo" - quando se sabe que a TAP  não cobra bilhetes a esses membros -, ou isentar os funcionários do Ministério da Agricultura do uso da gravata para poupar na electricidade. Num passe de magia, trocaram-nos os passos, afinal não chegou o D. Sebastião, e, apesar do coelho sair da cartola, o máximo que se conseguiu arranjar é uma colossal extorsão em forma de contribuição a ser paga pelos mesmos de sempre: os trabalhadores por conta de outrem, os precários de recibos verdes, os reformados e os pensionistas. 

Para Marte

                                Foto da National Geographic

 

Dava-me jeito fugir para Marte e escapar à subida dos empréstimos de habitação, da subida do custo de vida, das ex-Scuts e do aumento de impostos. Em Marte, não há intrujões: não se chumba um Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) por ser "um sacrifício inaceitável para a sociedade" para depois introduzir uma contribuição extraordinária sobre o subsídio de Natal. Em Marte não existem sacos azuis, só a coloração avermelhada do planeta e, apesar do pouco oxigénio que lá existe, o ar é mais respirável do que cá em baixo. Em Marte, o IVA não sobe na mesma proporção que as temperaturas negativas descem nem a minha reputação como devedor está ao nível de "lixo". Em Marte existe pouca água, em Portugal, todos metem água. Em Marte existe o sossego que eu precisava. 

Regresso ao passado

 

 

Pensava que já tinha visto tudo no que às privatizações diz respeito. Qual não foi o meu espanto ao ler que uma empresa vai poder cobrar uma espécie de portagem na Alameda D. António Ribeiro, em Braga, durante a noite, um dia por semana, com a aprovação unânime da Câmara local. Sob a capa da dinamização turística, da reabilitação urbana, do interesse público e do chico-espertismo empresarial, regressa-se à Idade Média, onde o feudalismo governava a região, e o povo tinha que pagar ao senhor para atravessar um simples local.

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