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DYLAN´S WORLD

"Fui à floresta viver de livre vontade, para sugar o tutano da vida. Aniquilar tudo o que não era vida. Para, quando morrer, não descobrir que não vivi". (Henry David Thoreau)

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"Fui à floresta viver de livre vontade, para sugar o tutano da vida. Aniquilar tudo o que não era vida. Para, quando morrer, não descobrir que não vivi". (Henry David Thoreau)

Quintas-feiras chatas

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As quintas-feiras são chatas, trazem a acumulação de dias de trabalho e lembra que o fim de semana ainda está longe. Talvez por isso, Cavaco Silva decidiu animar o período e lançar o livro "Quinta-feira e outros dias". Trata-se de uma suposta "prestação de contas aos portugueses" pela forma como exerceu o cargo de Presidente da República, sendo muito mais do que conversas semanais com o primeiro-ministro da altura, José Sócrates. É um lamentável manifesto social-democrata já que a o seu partido não consegue fazer oposição credível ao governo, é um ressentido discurso anti-esquerda, próprio de quem nunca conseguiu despir a camisola laranja. É pena que nesta espécie de lavandaria de roupa suja que abriu em Belém, o homem que nunca se engana e raramente tem dúvidas, à excepção do BES, não nos tenha esclarecido sobre as supostas escutas do PS à sua presidência. E se a sua pensão não vai dar para pagar as despesas, ao menos que este livro o ajude! 

O Abominável Homem de Belém

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Não, não era uma lenda dos Himalaias, o Abominável Homem das Neves existiu mesmo e deixou gigantescas pegadas durante 10 anos. Refugiou-se em Belém, desapareceu entre os pingos de chuva das acções da SLN, detentora do BPN, e funcionou como avalista afirmando que os portugueses podiam confiar no Banco de Portugal e no BES. Enquanto estes viviam num clima de austeridade, preocupava-se com a sua reforma que "não daria para pagar as despesas". Condescendeu com a demissão "irrevogável" de Portas, abominou a esquerda, primeiro com o delírio das escutas a Belém, e por fim, tudo fez para que António Costa não formasse Governo.

Sinais de fumo

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Cavaco Silva comunicou através de sinais de fumo que ele, como primeiro-ministro de um governo, em 1987, esteve "cinco meses em gestão". A mensagem parece apontar para uma decisão, mesmo quando os seus correligionários (aqueles que suspiram por uma "revisão constitucional extraordinária"), desaconselham tal juízo. A fumaça trouxe uma suposta "almofada financeira de dimensão substancial" proporcionada por este Executivo, mas a mensagem do presidente rapidamente se dissipou, afinal soube-se que a bandeira dos "cofres do tesouro cheios" levantada em vésperas das eleições legislativas, não existe, pois a devolução da sobretaxa de IRS deverá ser mínima, ou mesmo de reembolso nulo! 

A terceira via

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Compreensivelmente, Cavaco Silva entregou a governação do país ao vencedor das legislativas de 4 de Outubro mas acabou por dar um paliativo a um doente terminal, pois PSD e CDS-PP não têm uma maioria parlamentar. No entanto, discrimina parte da esquerda e tece considerações próprias de quem nunca despiu a "camisola laranja", numa clara violação da função de um Presidente: zelar pela unidade de Estado. São assim os fingidos: em 40 anos de democracia portuguesa rejubilam com alianças políticas de direita, toleram alianças entre a esquerda e a direita mas abominam uma terceira via composta por um acordo inédito entre todos os partidos de esquerda. 

Cada tiro, cada melro!

 

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                                                                       Foto: Henrique Monteiro

Cavaco Silva criticou o "incómodo incompreensível daqueles que querem esconder as boas notícias que têm vindo a surgir em relação à economia portuguesa" e as  "intrigas  político-partidárias que não criam um único emprego." O homem que nunca se engana e raramente tem dúvidas continua a nivelar o terreno laranja para as legislativas deste ano, o problema é que as recentes noticias de que o desemprego tem vindo a aumentar, pelo quarto mês consecutivo, fazem-no cair no país real. Também a Ministra dos "cofres cheios", "do país que consegui dar a volta", falou cedo demais, aquela exortação para os jovens se multiplicarem perdeu a lógica visto que a taxa de desemprego jovem também aumentou em Fevereiro. Lá diz o ditado, cada tiro, cada melro!

O cheiro de Belém

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Cavaco Silva diz que o caso das dívidas de Passos Coelho são "lutas político-partidárias" agravadas pelo "cheiro de campanha pré-eleitoral". Em Belém, nada de novo, o aroma é conforme a direcção do vento e o sonho laranja de "uma maioria, um governo e um presidente" nunca fez tanto sentido. O homem que nunca se engana e raramente tem dúvidas até disse que os portugueses podiam confiar no BES. O homem de "bom senso que sabe distinguir jogadas político-partidárias" desenha agora o perfil para o próximo Presidente da República, mas já não teve o mesmo olfacto quando criou a controvérsia das supostas escutas do gabinete de Sócrates à sua presidência. Sabemos que para sermos mais honestos do que ele temos que "nascer duas vezes", que a sua pensão não vai dar para pagar as despesas, que não tratou de forma condigna José Saramago e Carlos do Carmo, só não sabíamos que este homem é aquilo que um presidente não deve ser e dizer.

Reacções vagais

 

O desmaio de Cavaco Silva nas cerimónias do Dia de Portugal é o retrato perfeito do país, à beira da derradeira síncope, numa espécie de Torre de Babel onde ninguém se entende. Cidadãos contra cidadãos - aqueles que livremente se podem manifestar e os outros que acham que uma manifestação tem dias apropriados. Militares amordaçados e ironicamente em sentido perante aqueles que lhes têm sonegado os rendimentos, o patriotismo saloio daqueles que insistem em aclamar os que estavam no palanque, os senhores da austeridade que provocam hipotensão, visão turva, palpitações e vómitos, essas sim, verdadeiras reacções vagais.

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