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DYLAN´S WORLD

"Fui à floresta viver de livre vontade, para sugar o tutano da vida. Aniquilar tudo o que não era vida. Para, quando morrer, não descobrir que não vivi". (Henry David Thoreau)

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"Fui à floresta viver de livre vontade, para sugar o tutano da vida. Aniquilar tudo o que não era vida. Para, quando morrer, não descobrir que não vivi". (Henry David Thoreau)

Nova era nas transmissões televisivas do futebol em Portugal

A anunciada estreia do Canal Benfica, com a transmissão em directo e em exclusivo do Benfica-Nápoles, no próximo dia 2 de Outubro, é um acontecimento simbólico para o futebol português. Há 30 anos que os clubes portugueses, cuja situação económica e financeira se tem agravado cada vez mais - de tal modo que estão hoje, todos eles, em situação de falência -, começaram a vender ao sr. Joaquim Oliveira, pelo preço da uva mijona, os seus direitos sobre as transmissões televisivas dos seus jogos do Campeonato Nacional.

Curiosamente, a notícia da estreia do Canal Benfica (que ainda aguarda a emissão da respectiva licença pelo regulador dos media, a ERC, como sublinhava com acinte um dos jornais do sr. Joaquim Oliveira) mereceu algumas notas à margem, menos bem informadas, no de género “recorde-se que os direitos televisivos dos jogos da Liga portuguesa não pertencem ao Benfica”, quando os mesmos não pertencem senão ao Benfica, que, mediante contrato, os cedeu (vendeu) ao já citado sr. Joaquim Oliveira ou à sua famosa empresa Olivedesportos. Quem diz o Benfica, diz, um a um, os chamados clubes profissionais de futebol, 16 em cada Liga. Que aconteceu nestes 30 anos?

Está à vista de toda a gente, embora toda a gente (bem, quase toda a gente) finja que não vê. E que é evidente. Num dos extremos do negócio, os clubes, legalmente os seus detentores, estão todos falidos. No outro extremo, as TV privadas lá se vão safando, mas a RTP, enquanto os comprou ao sr. Oliveira, só agravou o seu défice crónico (que chegou aos mil milhões). No meio, o sr. Joaquim Oliveira - cujos méritos devem ser assombrosos - diria, em síntese, que passou de homem pobre a homem rico, através do mais gigantesco transvase de dinheiros que conheço no futebol europeu.

Não é preciso especular sobre o assunto - os dados estão aí para quem os quiser ver. Para se ter uma ideia do que os clubes portugueses “não ganham” com o sr. Joaquim Oliveira, direi, por exemplo, que o Villareal, de Espanha (onde os direitos são concentrados na Liga, que os negoceia com as TV) até há pouco um modesto clube de uma cidadezinha de 40 mil habitantes, perto de Valencia, recebeu a época passada de direitos televisivos 52 milhões de euros. Por cá, o Benfica, quem mais recebe da Olivedesportos, recebeu 7 milhões de euros. Moral da história: enquanto persistir esta disparidade de receitas de televisão em relação ao resto da Europa, os clubes portugueses não podem ser competitivos, estarão condenados ao endividamento progressivo e a esta espécie de morte lenta em que vão sobrevivendo. Amén.

 

Rui Cartaxana, Record

 http://www.record.pt/noticia.asp?id=804430&idCanal=3437

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