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DYLAN´S WORLD

"Fui à floresta viver de livre vontade, para sugar o tutano da vida. Aniquilar tudo o que não era vida. Para, quando morrer, não descobrir que não vivi". (Henry David Thoreau)

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"Fui à floresta viver de livre vontade, para sugar o tutano da vida. Aniquilar tudo o que não era vida. Para, quando morrer, não descobrir que não vivi". (Henry David Thoreau)

Burlas a Norte

Passou despercebida nos media ligados ao desporto, e em particular ao futebol, com excepção do Record, uma das maiores burlas da Banca portuguesa, que envolveu mais de 170 milhões de euros (cerca de 3,5 milhões de contos) e nomes sonantes do futebol do Norte do país. O autor desta proeza, na altura vice-presidente do FC Porto e administrador da FC Porto SAD, mas também gerente da Agência do Banco Mello (grupo BCP) no antigo edifício das Antas, no Porto, Nuno Espregueira Mendes, foi recentemente condenado a 6 anos de prisão efectiva por burla agravada.

Segundo o acórdão que o condenou, Espregueira Mendes montou uma negociata tipo D. Branca, pagando altíssimos juros (10% ao mês) à conta de depósitos na “sua” Agência (para o que ele próprio “financiava” os seus “clientes”), os quais eram investidos em aplicações com elevadas taxas de juro, aproveitando-se da alta de valores mobiliários (Bolsa) da altura, 1999/2000.

Entre os clientes que mais beneficiaram da generosidade desta D. Branca à moda do Porto, com empréstimos de grande monta, além do FC Porto (de uma só vez com 500 mil contos para reforço da tesouraria) e da FC SAD, figuram, nomes como Joaquim Oliveira (só de uma vez, em 6/5/1999, 1 milhão de contos), seu irmão António com mais de 500 mil contos em diversas alturas “para aquisição de acções na Bolsa de Lisboa”(sic), Adelino Caldeira, com 433 mil contos, com a mesma cristã finalidade, e uma numerosa lista de pessoas, todas de algum modo ligadas ao FC Porto, como os antigos jogadores Rui Barros ou Jaime Magalhães, etc., ou o presidente da Associação Comercial do Porto, dr. Rui Moreira, familiar de Espregueira Mendes e forte “investidor” nas habilidades bolsistas do antigo gerente bancário (tinha lá 500 mil €), negócio do qual disse que “não se lembrava” quando interpelado jornalisticamente sobre o caso.

Tudo começou a desandar quando a Bolsa entrou em depressão e as suas cotizações começaram a desvalorizar-se. O valor da carteira de títulos constituída por este bancário armado em banqueiro foi avaliado, então, em quase 20 milhões de contos (100 milhões de €). Tal como D. Branca enganou as autoridades durante todo o tempo, também o antigo administrador da FC Porto SAD ludibriou a própria auditoria do banco, que a certa altura o chegou a elogiar “pela proeminente carteira de clientes e pelo dinheiro que movimentava”. Pudera.

 

 

Rui Cartaxana - Record

http://www.record.pt/noticia.asp?id=803998&idCanal=3437


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