Quinta-feira, 19 de Novembro de 2009
Símbolos religiosos e a liberdade individual

 

 

 

A deliberação do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, em Estrasburgo, contra a presença de crucifixos nas salas de aula, foi encarada pelo Vaticano e pelo clero português como uma perseguição ao cristianismo. Mais realista, o cardeal patriarca de Lisboa disse que não foi a Igreja que colocou os crucifixos nas escolas, ou seja, compete aos governantes fazer cumprir a lei expressa na Constituição da República - a separação entre credos religiosos e o Estado, no nosso caso, laico. Mais recente, a Lei da Liberdade Religiosa é taxativa: o Estado não pode propagandear ou adoptar qualquer religião. Numa sociedade cada vez mais multicultural, não tem sentido que a maioria e a tradição imponham a sua vontade, oprimindo o direito à diferença. Não serão os símbolos religiosos uma espécie de evangelização forçada em estabelecimentos públicos como escolas e hospitais e, consequentemente, uma castração da liberdade individual?



publicado por Dylan às 17:28
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Quinta-feira, 12 de Novembro de 2009
Simplesmente, Robert

 

 

 

Robert Enke veio para o Benfica para substituir o extraordinário Michel Preud'homme e não defraudou as expectativas. Pelo seu talento e qualidade foi chamado à selecção alemã, lugar por onde passaram grandes lendas como Harald Schumacher. Terá vivido os dias mais felizes em Lisboa, longe de imaginar a tragédia que iria irremediavelmente afectar a sua vida e da família. Apesar da sua juventude, a adaptação a um novo país e a falta da conquista de títulos desportivos, nunca foi impedimento para dar todo o seu empenho e profissionalismo dentro do campo. Fora dele, era o expoente máximo de bondade, pois dividia-se entre projectos de solidariedade e o amor aos animais, sem esquecer as preocupações com o meio ambiente. Guardarei na memória a chegada à Portela de um Homem com cara de menino, à procura da glória num clube enorme, tão grande como o seu coração.




Terça-feira, 10 de Novembro de 2009
A crise anunciada

 

 
 
 
A crise do Sporting CP não é somente devido às más políticas desportivas mas também devido ao resultado dos dividendos do plano Roquette, denunciado por João Rocha - uma aliança com o amigo FC Porto visando apear o Benfica dos títulos nacionais. Aliás, se reflectirmos bem, o alvo da fúria leonina é sempre o vizinho da 2ª Circular, comprovado pelos discursos miserabilistas do seu presidente, a caminho de ser o mais incompetente da história do Sporting. Um certo aburguesamento dos seus responsáveis e a mania de pensarem que são diferentes, levam o clube a ser relegado para 3º grande de Portugal. O Sporting deve continuar a apostar nos seus escalões jovens de formação, na profissionalização da sua estrutura futebolística - inovando, de forma a arranjar novas fontes de receitas e blindando o clube afim de evitar guerrilhas internas, possibilitando a união de todos os sportinguistas em prol dos objectivos traçados.



Sábado, 7 de Novembro de 2009
O patrão português

 

http://sic.sapo.pt/online/video/informacao/NoticiasDinheiro/2009/10/van-zeller-diz-que-nao-deve-haver-aumento-do-salario-minimo.htm

 

As palavras do Eng. Van Zeller, Presidente da Confederação da Indústria Portuguesa, de que "os salários baixos são necessários para 25% das nossas exportações", opondo-se veementemente ao aumento do salário mínimo, é de quem fala de barriga cheia, pois não se encontra entre aqueles 300 000 trabalhadores que auferem 450 euros mensais.

O senhor saberá que a maior parte dos patrões portugueses tem uma baixa escolaridade aliada a uma ainda pior qualificação profissional? Não será isto o verdadeiro entrave ao desenvolvimento empresarial do mundo moderno e às consequentes exportações que tanto apregoa? No país dos patrões e dos doutores, é bom relembrar que o mero trabalhador é o dínamo de qualquer empresa, e também por isso, deve ser condignamente pago e motivado. 

Travestido de "quadro superior", o patrão português almeja ser um empresário de sucesso - com um ar sério e a característica gravata da moda -, mas o que melhor consegue fazer é aumentar o fosso entre os salários dos trabalhadores e os de topo. Resquícios do Estado Novo onde faltam-lhes destreza, criatividade, inovação,  e fundamentalmente, empatia.

             

 

 




Terça-feira, 3 de Novembro de 2009
O regresso do túnel da vergonha

 

 

O País entrou em êxtase com a derrota do Benfica em Braga, a contar para o campeonato nacional de futebol. O País? Não, talvez os adeptos do 2º maior clube nacional: os anti-benfiquistas. Sei que 200.000 sócios devem fazer doer a cabeça a muito boa gente e reduzem alguns à sua pequenez, mas não sabia que na cidade dos Arcebispos se tomavam as dores dos outros. Os caciques do futebol nacional que se cuidem: a mística encarnada que enche estádios está de volta, pronta a triturar esta espécie de aspirantes a papas que fazem do desporto uma guerra e que criam ambientes de inspiração siciliana. Quero acreditar que o apito tendencioso calar-se-á, quando for exposto no exterior e cair no ridículo. Com ele, os lacaios de serviço espalhados pelas diversas áreas da sociedade, agudizarão a caminho do exílio. Portanto, rejubilem enquanto podem...




Terça-feira, 27 de Outubro de 2009
Os cobardes do pelotão

 

 

http://tv1.rtp.pt/noticias/?headline=46&visual=9&tm=8&t=BE-e-familias-de-alunos-do-Colegio-Militar-alegadamente-agredidos-avancam-para-accao-conjunta.rtp&article=288775

 

Estalou o verniz no impoluto Colégio Militar devidos às alegadas práticas de violência física sobre os alunos mais novos daquela instituição. Enquanto uns pais retiraram de lá os seus filhos, outros manifestaram o seu apoio ao Colégio, quais virgens ofendidas. Não se lembram que a seguir podem ser os seus filhos, os alvos, mesmo entre miúdos oriundos de estratos sociais mais elevados. Talvez pensem que são intocáveis, a verdadeira elite da sociedade portuguesa à prova de escândalos. Espero que, à semelhança de outros estabelecimentos de ensino público, se castigue exemplarmente os agressores, de preferência, sem silêncios cúmplices, pois já se chegou à conclusão que para "ser homem" e bom cidadão não é necessário frequentar esses tipos de instituições nem ser exibicionista.

 

 

 

 

 




Sexta-feira, 23 de Outubro de 2009
Circos sem animais

 

 

 

Só perca por tardia a entrada em vigor da nova lei que proíbe o uso de algumas espécies animais em circos. Seja em que local for, a dignidade animal não é compatível com o seu exibicionismo e exploração. Grande parte dos circos modernos já não utilizam animais nos seus espectáculos usando para isso a teatralidade e as artes circenses, verdadeiras géneses do circo. Profissionalizando esses artistas circenses e inovando o sector, estão criadas as condições para que todos os animais desapareçam dos circos portugueses. É importante a consciencialização dos mais novos para que se acabe também com espectáculos deprimentes como as touradas. Como diria Axel Munthe, "o animal selvagem e cruel não é aquele que está atrás das grades. É o que está na frente delas."

 

 




Domingo, 18 de Outubro de 2009
Um homem Nobel

 

 

 

O Nobel da Paz tem características diferentes dos restantes prémios atribuídos pela Academia Sueca. Desde logo, é atribuído em Oslo por um comité independente norueguês, laureando alguém ou alguma entidade que se distingue pela capacidade de resolver diplomaticamente diversos problemas, independentemente de ficarem concluídos ou não. Foi assim com Jimmy Carter, é agora assim com Barack Obama. Porque privilegia o diálogo e o bom senso entre os povos, porque ele próprio é o resultado da esperança e do sonho: ter sido o primeiro presidente afro-americano da história dos EUA. Um exemplo do idealismo norte-americano, ainda hoje cobiçado, abraçando causas como os Direitos Humanos e trabalhando internamente para um plano de reforma do sistema de saúde. Com Obama, voltaram as preocupações com o meio ambiente, com o desarmamento nuclear, com a desmobilização do Iraque e com a possibilidade do fim do embargo a Cuba. Apressou-se a condenar o golpe de Estado nas Honduras e a normalizar as relações institucionais com a Rússia, não esquecendo a tentativa de cativar o mundo árabe ao admitir a criação do Estado da Palestina , fundamental para a paz no Médio Oriente.

Negar isto, em menos de nove meses, é cair no discurso dos conservadores norte-americanos e de parte da esquerda europeia, recheada de tiques estalinistas.

 




Terça-feira, 13 de Outubro de 2009
Repúblicas e Monarquias

Mais importante do que saber qual será a forma de Governo mais apropriada - a Monarquia ou a República - é saber qual beneficia mais a sociedade, e neste aspecto, o voto, como opção de escolha, é decisivo para quem aprecia a democracia. Não que a monarquia não tenha tido sucesso em países do norte da Europa, mas nem todos os povos são culturalmente mentalizados para aceitarem dinastias hereditárias onde não existe limite de mandatos, no caso específico dos monarcas.

 

Também por isso, não se compreende como ultimamente têm surgido no nosso país movimentos de apoio à causa monárquica sem terem a mínima noção daquilo que professam. Talvez pensem que é chique a subalternidade ao rei ou a sede de protagonismo das suas acções levem as pessoas a pensar que realmente têm sangue azul.




Domingo, 4 de Outubro de 2009
Rio indomável

 

 

Rui Rio tem todas as condições para assumir o terceiro mandato à frente dos destinos da Câmara Municipal do Porto.

 

Vencerá, porque é inconcebível que a sua maior adversária à autarquia tenha já garantido um lugar como eurodeputada em Bruxelas, se eventualmente perder. Na sua cidade, a candidatura socialista associa-se ao clube de futebol mais representativo procurando apoios, fazendo lembrar a vergonhosa intimidade no passado entre a Câmara e o séquito portista. Corajosamente, Rio acabou com este feudo, com a promiscuidade entre a política e o desporto, e, claro, ganhou inimigos, muito deles dissimulados.  

 

Cáustico, incisivo, não se deixando amedrontar, cultivou uma imagem de líder, sendo legítimo apontá-lo como o futuro presidente do partido do seu coração, actualmente moribundo. Com uma carreira política exemplar ao serviço da social democracia arrisca-se a ser o novo rosto de oposição ao Governo, porque a batalha na cidade, contra tudo e todos, está ganha há muito tempo.




Sábado, 26 de Setembro de 2009
Descriminação no andebol
O andebol português vive uma situação "sui generis". José António Silva, docente da Faculdade Desporto Universidade do Porto e actual treinador da equipa profissional do Benfica, está impedido de acumular as duas funções, o que não se compreende visto o professor ter passado pela mesma situação anteriormente, gozando da respectiva autorização por parte do presidente do conselho directivo e cumprindo todos os deveres perante aquela instituição de ensino. Não quero acreditar no facciosismo desportivo deste senhor nem imaginar que tenha um qualquer agendamento clubístico, mas não posso esquecer o seu constante achincalhamento ao clube encarnado em artigos de opinião publicados num jornal desportivo, onde é por demais evidente o seu comprometimento com o clube do seu coração, situado a norte. Que as autoridades competentes não pactuem com esta espécie de despotismo moderno, ou verifiquem se existe apenas um capricho vingativo, inadmissível numa instituição pública e prestigiada como é a FADEUP.



Sexta-feira, 18 de Setembro de 2009
Antiamericanismo primário

 

 

Com os ataques terroristas ocorridos nos Estados Unidos da América em 11 de Setembro de 2001, pensou-se que a luta contra o terrorismo iria entrar numa nova era, pois a partir dali nenhuma sociedade estaria imune a um eventual ataque.

Em vez disso, entrou-se num antiamericanismo rançoso, chegando-se ao ponto de dizer que a América estava a pôr-se a jeito para que aquilo acontecesse. É  este o discurso  de uma parte da esquerda europeia, ressabiada com a desagregação soviética e saudosa do Muro de Berlim, impulsionada pelos meios de comunicação social, alguns deles meros focos de intoxicação da opinião pública. Tamanho ódio e preconceito só é superado pela deliciosa ironia: a América, o país-continente, sempre na vanguarda do progresso tecnológico e civilizacional, onde existe a maior multiculturalidade de raças e credos, onde as minorias são uma voz activa na sociedade e a liberdade e a democracia atingem o expoente máximo. É o país que mais disponibiliza ajuda humanitária e financeira ao exterior e também aquele que acolhe o maior número de imigrantes em busca dos seus legítimos sonhos. 

O antiamericano contemporâneo adora o estilo de vida “yankee”: os filmes de Hollywood, a literatura, a música, os refrigerantes,  a “fast-food”, mas é incapaz de reconhecer isso porque é hipócrita. O despeito é tal que se branqueia o papel decisivo da América no desenlace da Primeira e Segunda Guerra  Mundial evitando que a Europa caísse num regime totalitário. Claro que nem tudo é perfeito,  o sistema de saúde  e, principalmente,  a sua política geo-estratégica, mais agressiva depois dos atentados. Diz Chateaubriand, “não há nada mais servil, desprezível, covarde e tacanho que um terrorista” - eu acrescento -,  e de que um antiamericano.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 




Quinta-feira, 3 de Setembro de 2009
Falência de identidade desportiva

 

 

A naturalização de mais um jogador de futebol estrangeiro pela nossa Selecção Nacional é mais um rude golpe na identidade desportiva do nosso país, e acima de tudo, um retrocesso no modelo dos escalões de formação.

Não se percebe esta incoerência, ainda para mais dado o currículo do seleccionador nacional, o impulsionador da chamada jovem “geração de ouro” de Riade e Lisboa.

O processo de naturalização foi tão rápido e conveniente que fez corar de vergonha os trabalhadores imigrantes do nosso país. Critica-se em surdina esta naturalização e outras do passado,  dentro da incompetente FPF e entre colegas da mesma profissão enquanto o público demite-se de apoiar esta Selecção com sotaque pois ainda sabe o significado da palavra ética.

 




Sexta-feira, 28 de Agosto de 2009
O sonho americano

 

Com a morte do senador Edward Kennedy, fechou-se mais um capitulo da dinastia política desta família, marcada pela tragédia e os escândalos, mas mais importante, modelo do idealismo e da concepção do sonho americano.

 

Todos os irmãos foram expoentes do liberalismo norte-americano, partilharam o mesmo legado: a democracia, inclusive morreram em nome dela. A ambição política progressista era correspondida com triunfos retumbantes, dados pelas minorias sem voz, pelos imigrantes e injustiçados, no fundo, a possibilidade de todos acreditarem novamente na América, pelas mãos de três grandes estadistas.




Quarta-feira, 12 de Agosto de 2009
A vida num palco

 

Não sendo eu da geração de Raúl Solnado, sei a perda irreparável que o seu desaparecimento provocou, numa época em que a comédia se confunde com o insulto brejeiro. O actor aprendeu com os melhores - João Villaret, António Silva e Vasco Santana -também por isso, merece estar na galeria dos imortais. Imaginemos a audácia e a inteligência de ridicularizar o Antigo Regime e os seus tabus, contornando a censura, utilizando jogos de palavras  numa encapotada infantilidade.  Foi um homem solidário que deu tudo pelo teatro, muitas vezes colocado acima dos interesses familiares.




Quarta-feira, 5 de Agosto de 2009
O músico poeta

Quando passam 80 anos sobre o nascimento do músico José Afonso, é bom relembrar às actuais gerações quem foi o genial poeta que renovou o conceito de música popular portuguesa.

Mais do que um mero activista de esquerda, lutou pelos oprimidos com total desprendimento material. Era um homem simples, dispensava a formalidade do traje académico e o estatuto de vedeta. Adorava o contacto com a natureza, e acima de tudo, o conceito de liberdade, pois só assim se pode explicar a sua não filiação em partidos políticos e a consequente imposição de amarras ideológicas.

Nunca esqueceu o grande amor da sua vida - Coimbra. Foi detido várias vezes e impedido de praticar a docência só porque manifestava a sua opinião crítica. Mas como disse o Zeca, "não me arrependo nada do que fiz".

 

 

 




Sexta-feira, 31 de Julho de 2009
Jornalista sem medo

 

http://tv1.rtp.pt/noticias/?headline=20&visual=9&tm=3&t=Morreu-Rui-Cartaxana.rtp&article=234556

 

Rui Cartaxana não foi apenas um jornalista desportivo nem um mero ajuntador de letras. Foi uma figura de referência no jornalismo português e pioneiro na modernização da imprensa desportiva contribuindo para a profissionalização do sector.

A sua independência editorial era um sinal dos seus valores e princípios que sempre defendeu, mesmo que entrasse em choque com o seu clube do coração. Talvez fosse o fervilhar do seu sangue africano - indomesticável - contrastando com a atitude de colegas de outras redacções, comodamente silenciosos, avessos a polémicas e bajuladores.

Com o Rui, desapareceu o jornalismo crítico afrontador do poder, porque não dizer romântico e ousado. 

 

 




Segunda-feira, 27 de Julho de 2009
Escrita e vida inseparáveis

 

 

Ao fim de trinta e quatro anos, Manuel Alegre sai do parlamento mas com a sensação do dever cumprido como deputado. Ao contrário de muitos, foi fiel aos seus mandatos, não acumulando a função parlamentar com cargos nos sectores privado e público. O seu percurso académico, ligado ao movimento estudantil contestatário do Antigo Regime, traçou-lhe o destino. O exílio não lhe calou a voz nem a sua poesia, inspirando cantores de intervenção como José Afonso. Um homem intenso, de causas, que não hesitava entrar em conflito ideológico com o partido para não desapontar os cidadãos. Alegre diz que a escrita e vida são inseparáveis, eu digo que a democracia e a liberdade andam de mãos dadas.




Quarta-feira, 22 de Julho de 2009
Futuro incerto na imprensa

 

A decisão dos jornalistas e demais trabalhadores de um jornal diário português em aceitarem a redução da remuneração individual abre um precedente grave, e mais importante, não resolve nada, apenas adia temporariamente uma situação inevitável. Significa que basta pressionar as redacções em forma de ameaçadores ultimatos e acenar com o despedimento colectivo mandando às malvas o código de trabalho. A crise económica mundial e o prejuízo de 4 milhões ao ano do jornal, parecem querer justificar tudo menos as mordomias das chefias que deveriam ser os primeiros a darem o exemplo e a sacrificarem-se. Administradores brilhantes que nunca ouviram falar de inovação e motivação dos seus funcionários numa comunicação social cada vez mais monopolizada. Se calhar, para estes, o importante é distribuir o jornal gratuitamente nos hipermercados do accionista.




Terça-feira, 14 de Julho de 2009
Descredibilizando a política

Como é possível credibilizar a política em Portugal ao receber-se na Assembleia da República um dirigente de um clube de futebol castigado pela justiça desportiva e com direito a repasto à conta do erário público?

 

Bem sei que nem todos os deputados fizeram o papel de anfitriões mas mais grave se torna quando a bajulação acontece pela segunda vez misturada com facciosismo clubístico.

 

No entanto, através do acto eleitoral, o cidadão português jamais esquecerá a intimidade e o servilismo entre o poder político e o lobby desportivo, indisfarçável aos olhos da sociedade, desvirtuando o verdadeiro papel de um Parlamento e do estatuto de deputado




Quarta-feira, 8 de Julho de 2009
O Benfica é dos sócios

 

 

As eleições presidenciais no Benfica tiveram o condão de unir a nação benfiquista. Contra "cavalos de Tróia" e os sedentos de protagonismo, onde não faltaram as manobras pseudo-jurídicas para impedir o acto eleitoral e denegrir os estatutos do clube. A histeria provocada torna-se compreensível à medida que se aproxima o dia em que o Benfica tornará a ser detentor dos seus direitos televisivos desportivos e a sua TV começa a ter o êxito esperado. O poder associativo do Benfica nunca deve ser menosprezado por ninguém assim como a gratidão para com quem transfigurou um clube despedaçado num clube moderno e eclético. 
 

 




Terça-feira, 30 de Junho de 2009
Michael Joseph Jackson (Gary - 1958 / Los Angeles - 2009)

 

 

Uma criança num corpo de um adulto. Era assim Michael Jackson. A sua candura contrastava com a atitude arrebatadora que exibia em palco, uma espécie de predestinado com um talento invulgar e que enfeitiçava todas as gerações. A educação rígida traçou-lhe o futuro mas sonegou-lhe a infância, enquanto o seu direito de viver recatado era ameaçado à medida que os holofotes da fama acompanhavam o seu crescimento. Pulverizou recordes de vendas mas também era o primeiro a dizer presente às causas humanitárias onde terá doado milhões de dólares. A sua timidez, e porque não dizer a sua extravagância, originavam todos os tipos de rumores, nunca provados.
Goste-se ou não do estilo, revolucionou o mundo do entretenimento artístico e musical impulsionando de vez o respeito e o reconhecimento pela cultura negra.
  




Quarta-feira, 24 de Junho de 2009
Orgulho em ser português

Numa época de descrença, de desânimo, há que acreditar na capacidade de superação dos portugueses.

 

Atente-se no exemplo de personagens empreendedoras como Horta Osório, membro do conselho de administração do Banco de Inglaterra, Durão Barroso, a caminho do segundo mandato de presidente da Comissão Europeia, José Saramago, o primeiro escritor de língua portuguesa a ser galardoado com o Nobel da Literatura, e Siza Vieira, arquitecto de grande prestígio internacional.

 

Não é possível também esquecer todos os anónimos que lutam diariamente para ultrapassar os tormentos da vida: os desfavorecidos, os desempregados, o pequeno tecido empresarial, os estudantes, as mães solteiras e os reformados de baixas pensões. Como no passado, rasgando mares revoltosos e vencendo cabos que atemorizavam, levantemos o nosso orgulho português contra a adversidade e com a audácia que sempre nos distinguirá. 
 




Quinta-feira, 18 de Junho de 2009
Lembrar os bravos

É inaceitável ver o desprezo a que estão votados alguns dos ex-combatentes da Guerra Colonial.

 

Muitos vivem nas ruas e sofrem de problemas sociais graves como o alcoolismo e a toxicodependência aliadas a disfunções emocionais onde os traumas passados estão bem presentes. Arrepia pensar que poderia ser um dos nossos familiares a participar nesta "missão especial" colonialista que, apesar de não lhes dizer respeito, viram as suas vidas interrompidas sem o respectivo reconhecimento por parte do País que os enviou para o inferno. Por uma questão de dignidade, pois não são simples despojos, o Estado deve dar maior apoio social a estes bravos bem como executar a trasladação dos restos mortais de outros combatentes.
 




Domingo, 14 de Junho de 2009
Flores para Quique

É fácil perceber porque Quique Flores não triunfou no futebol português.

 

O discurso elevado de um estudioso do futebol, o seu "fair-play", os seus grandes valores morais, a sua forma de estar, não se coadunam com a linguagem brejeira utilizada pelos senhores do futebol cá do burgo onde se misturam compadrios entre políticos, empresários, advogados, jornalistas, árbitros e dirigentes desportivos. Um futebol de calças na mão, endividado, que louva a desonestidade, onde a verdade desportiva é questionada e o campeão é proclamado quase por decreto.

 

Os métodos inovadores no plano técnico-táctico do espanhol, na pele de um verdadeiro gentleman, amplamente reconhecidos e elogiados no seu país, não foram suficientes para o desvirtuado futebol português que realmente provou desconhecer.




Domingo, 7 de Junho de 2009
Lembrar Tiananmen

Quando passam 20 anos sobre o massacre de Tiananmen, a China ainda não se libertou dos grilhões maoístas. Pior do que isso, silencia todo e qualquer movimento que vise celebrar a Primavera de 1989, ao ponto de, gerações nascidas após essa data, não saberem o que realmente aconteceu em Pequim. Travestidos de socialistas modernos, o Governo controla minuciosamente a população através do Partido,  aliando-se a políticas repressivas que vão desde campos de trabalho forçados a execuções públicas. Não existe liberdade de expressão nem liberdade sindical  e os meios de comunicação social estão subjugados.  Por mais operações de cosmética que protagonizem, onde os Jogos Olímpicos de 2008 foram o expoente máximo, jamais se libertarão do totalitarismo nacionalista instigador do medo que nem todos os países têm coragem de denunciar mas que um dia a História tratar-se-á de reparar.




Segunda-feira, 1 de Junho de 2009
Tiques provincianos

A constante provocação do presidente do FCP em querer mudar o local da final da Taça de Portugal é só comparável à detestável obsessão que sente pela cor encarnada, esmagadoramente maior. Todos sabemos que o Estádio Nacional poderá não reunir todas as condições necessárias para eventos desta grandeza mas porventura não quererá o portista realizar a final no seu estádio, à semelhança do que fez na década de 80, à maneira cacique? Existem lugares que pelo seu misticismo e pela sua festa popular espontânea devem permanecer incólumes a qualquer ataque que espelhe o exacerbado provincianismo incendiário. Aliás, quando se vê os seus apoiantes a assobiarem o hino nacional e a festejarem vitórias insultando o adversário, já se percebe como uma pessoa condenada pela justiça desportiva continua a gozar de total impunidade neste País da treta.




Quinta-feira, 21 de Maio de 2009
Descrédito na justiça
É impossível ficar indiferente aos gritos e choro desesperados da menina de Barcelos que estava numa família de acolhimento aquando da sua entrega à mãe biológica de nacionalidade russa. Este desenlace é tão ridículo que nem acredito na possibilidade das autoridades russas terem imaginado este dramático e insólito final.
Seis anos de cumplicidades afectivas enviadas para a reciclagem sem ninguém ter perguntado à criança qual seria a sua vontade e as possíveis sequelas daí decorrentes. Mais importante do que analisar a legalidade jurídica do acto é verificar o constante descrédito que a justiça portuguesa está votada: brilhantes mentes que têm a certeza que a mãe biológica não repetirá os maus tratos e conduta dúbia, num país e família desconhecidas para a criança, de parcos recursos económicos onde não se fala português. Às vezes não dá vontade de implodir todo o sistema judicial português e pedir a anexação a outro Estado?



Domingo, 17 de Maio de 2009
Êxito desportivo?

Em Portugal conquistam-se tetracampeonatos de futebol como quem come uma peça de fruta. Dizem que é devido à competente organização e estabilidade. Na Europa não encontramos praticamente nenhum clube que iguale tal façanha mas verificamos a existência de um poder judicial forte, imparcial, sem qualquer tipo de temor reverencial à figura desportiva. Uma justiça que não se demite das suas funções nem tampouco expede cartas-brancas para relações institucionais menos claras: com os políticos, nos órgãos jurisdicionais desportivos, na arbitragem, na tristemente instrumentalizada comunicação social, nas transacções obscuras entre jogadores, em subterfúgios processuais, no tráfico de influências e nos compadrios. Tão importante como o próprio jogo e perante a impossibilidade de se apagar o passado, este é o êxito desportivo que alguns  hipocritamente glorificam.




Terça-feira, 12 de Maio de 2009
Direito dos animais

Sem dúvida que o ano de 2009 tem sido bom para os defensores dos direitos dos animais, nomeadamente quanto à proibição de touradas pelas autarquias. Só foi pena a outra classe política representada na Assembleia da República ter rejeitado um projecto-lei  sobre a proibição de uso de animais em circos. Neste aspecto, a ANIMAL , pela voz do seu presidente, irreverente e audacioso, tem denunciado aquilo que a grande maioria das sociedades modernas condenam: o desprezo pela Declaração Universal dos Direitos do Animal, proclamada pela UNESCO.  A juventude, tantas vezes criticada noutras ocasiões, tem dado um contributo importante para a mudança das mentalidades arcaicas deste País  no que respeita aos animais:  contra os lobbies, contra grupos económicos que exploram o sofrimento animal e contra aqueles que estão sentados numa bancada protegidos por tapumes exigindo sangue.




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