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DYLAN´S WORLD

"Fui à floresta viver de livre vontade, para sugar o tutano da vida. Aniquilar tudo o que não era vida. Para, quando morrer, não descobrir que não vivi". (Henry David Thoreau)

DYLAN´S WORLD

"Fui à floresta viver de livre vontade, para sugar o tutano da vida. Aniquilar tudo o que não era vida. Para, quando morrer, não descobrir que não vivi". (Henry David Thoreau)

Ida ao pote

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Sempre defendi uma aproximação dos cidadãos ao sistema político mas quando há demasiado interesse em ir ao pote ou quando existe falta de credibilidade nos candidatos a gente estranha. Em Castanheira de Pêra, a cantora Ágata faz parte de uma lista independente à Câmara. Parece que já estou a ver o slogan da campanha: "Podes ficar com as jóias, o carro e a casa mas não fico sem tacho político". No Porto, um ex-participante de um "reality show" com o segredo "Tive um bar de alterne", também concorre à Câmara. Já vislumbro o cartaz: "Alterne de partido comigo". Numa freguesia do mesmo distrito, um ex-ciclista que esteve envolvido em histórias de doping escala uma junta. Eu sugiro-lhe um bom outdoor: "O partido vitamínico" ou "Comigo pedalemos com motor"!  

Puritanos da bola

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Já começa a ser enjoativo a conversa dos juristas de ocasião sobre a legalização de claques de futebol. Se querem cumprir a Lei esta tem de servir a todos, sem excepção, e poderíamos começar pela apresentação do registo criminal de cada membro. Duvido que sobrasse muitos "legais", daqueles que relatam orgulhosamente em livro as suas façanhas criminais de líderes. Quanto aos clubes, não só fosse severamente punido aquele dá apoio a uma associação "ilegal", mas também aqueles "legais" que incitam ao ódio através de cânticos, à violência, ao racismo e à exibição de tarjas ofensivas. Basta que todos os clubes comam pela medida grande que acabará o ruído hipócrita promovido pelos puritanos diários da bola.

Que estranha forma de fazer política

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Só uma mente muito retorcida pelo fogo pode pensar que existe alguma coisa a esconder num gigantesco pinhal calcinado, alguém que invoca suicídios, que berra por "toda a verdade" pois "há muito por esclarecer no incêndio de Pedrógão", inclusive o número de mortos. Não se aflijam, os cidadãos ficaram elucidados com a qualidade do combate político em Portugal, fuligem que se agarra às paredes de partidos desacreditados, sem ideias, e que desrespeitam a memória de Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa. "Que estranha forma de vida", cantava Amália, "que estranha forma de fazer política", digo eu.

Um sonho de verão

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Sonhei que o Governo tinha mandado às malvas os centralistas e regionalistas de ocasião, substituindo as candidaturas de Lisboa e do Porto à sede da Agência Europeia do Medicamento pelas cidades da Covillhã e Vila Real. Era hora de alavancar o interior, acabar com as assimetrias regionais, e a cidade serrana, com uma pujante universidade contendo o curso de Ciências Farmacêuticas, uma boa autoestrada  e o aeródromo de Castelo Branco nas proximidades, podia ser uma boa solução. Surgia também Vila Real, com a não menos famosa Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, um aeródromo, boas acessibilidades onde se destaca o túnel do Marão, a maior infra-estrutura rodoviária do género na Península Ibérica. Depois acordei ao som da guerrilha de caciques políticos e seus peões que dividem o país em norte e sul e verifiquei que aquilo não tinha passado de um sonho de início de verão.  

Eles escolheram a desonra e terão a guerra

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Na minha ingenuidade sempre pensei que o Benfica tivesse rivais, nunca inimigos, mas olhando para a última polémica do futebol português onde um clube coscuvilheiro acedeu ou mandou aceder indevidamente ao sistema informático dos lisboetas, fiquei sem dúvidas. O "chico esperto" desportivamente ressabiado que teve a brilhante ideia de guerrear contra um exército de seis milhões especula, difama e usa o mediatismo e a Santa Aliança para lançar suspeições e linchamentos públicos. Parafraseando Churchill, "entre a desonra e a guerra eles escolheram a desonra e terão a guerra". Já tinha sido assim no "Apito Dourado" onde a turma dos piratas informáticos perdeu seis pontos por corrupção tentada e não recorreu, preferindo a desonra, já é genético.

Chico, o agricultor

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O Chico era jornalista mas nos últimos quatro anos até foi agricultor, dedicando-se a plantar melões para consumo próprio e dos amigos. De repente lá conseguiu realizar o seu maior sonho, ser director de comunicação do clube de futebol lá da terra. Quis logo ajustar contas com um glorioso rival e começou a cultivar ódio e ressentimento. Saudoso do tempo onde crescia fruta de qualidade e qualquer nabo medrava no terreno, hoje o Chico está falido e só tem uma pequena horta comunitária cheia de ervas daninhas, olhando com inveja para os campos alheios repletos de papoilas vermelhas. Culpando os árbitros, o Chico aliou-se a outro lavrador com esperança de ambos ganharem alguma coisa, mas apenas vai vencendo no ciclismo, na maledicência, na intimidação de sachola, na brejeirice e na pirataria informática.

Glória ao vencedor, honra aos vencidos

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Acabada a época futebolística em Portugal é hora de glorificar o vencedor e honrar os vencidos. Convém também recordar que  não há memória dum vencedor ter sido tão vilipendiado pelos dois principais rivais chegando ao ponto de estes terem consumado uma aliança. Valeu tudo, primeiro foi a insinuação dos vouchers, como se a UEFA não reconhecesse que as lembranças de cortesia a árbitros são normais, depois a "cartilha", como se os comentadores e adeptos do Benfica fossem os únicos a receber informação do seu clube. Das violação de emails, das inúmeras lesões musculares que afectaram o plantel até ao ataque às claques ilegais do clube, como se as "legais" fossem sinónimo de urbanidade, surge o último estertor - o vídeoárbitro - o instrumento milagroso que iria restituir troféus a dragões e leões ironicamente proporciona o último título da época ao Benfica!     

Habemus tetra

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Nunca a expressão dos três "F´s" fez tanto sentido como no Sábado passado. A visita do Papa, a vitória de Portugal no festival da Eurovisão e o tetracampeonato do Benfica mexeram com as crenças e a auto estima dos portugueses. Uns saltaram por Jonas, uns rezaram por Francisco e outros berraram por Salvador. Que me perdoe o cantor mas eu não posso amar pelos últimos dois. Que me perdoe o Papa mas as minhas preces foram somente para a canonização do Jonas, a minha fé só dava para o "tetra e seis". Peço apenas uma última aparição, um milagre para todos os "cegos" enxerguem que o Benfica afinal é um justo vencedor desta Liga e é imune às queixinhas, à inveja e ao despeito.

Baralhar e voltar a dar

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Durou algum tempo esta espécie de gerigonça política que esteve no executivo da Câmara do Porto, mas quando um casamento entre a esquerda interesseira e a direita "independente" nasce torto, só pode acabar em divórcio. Imagine-se, Manuel Pizarro a candidatar-se em cima do joelho contra um colega de vereação, a combater na rua quem lhe deu pelouros e partidarite amiga. Mas quando pensava que a cisão entre estes dois políticos era insanável, Rui Moreira volta a baralhar e a dar dizendo que não fecha a porta a uma nova aliança, como em 2013, caso a "geografia eleitoral" o justifique, num espectáculo digno dos melhores contorcionistas da história política que apenas tiveram um amuo!

Não te afundes com a baleia

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No meu tempo, o jogo da baleia azul era judiar a gorduchinha da sala de aula que se vestia daquela cor. Palavras como o suicídio juvenil e auto mutilação soavam estranho, pois tínhamos o MacGyver que nos desenrascava de qualquer missão, o Crockett e o Tubbs que nos impediam de ter algum vício tóxico e a esquadra de Hill Street para nos proteger de qualquer experimentação. Os pais reuniam a família para verem o humor anti-depressivo do Herman e participavam na construção da nossa identidade. Havia música inspiradora, o ioiô, havia Allo Allo, o estabilizador do humor, dois adoráveis ET´s que vieram elevar a auto-estima de todos, e, imagine-se, até um Barco do Amor. Apesar dos problemas próprios da adolescência, do maldito acne, dos conflitos com gerações mais velhas, elas queriam ser o Modelo, eles o Detective, que nos dava jeito no mundo actual onde o lixo se propaga online, nas redes sociais, na televisão e ataca jovens fragilizados.    

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