Segunda-feira, 8 de Fevereiro de 2010
Jornalismo faccioso

Há um jornal semanário do Porto que gosta de reflectir sobre os problemas do norte de Portugal e defende a regionalização administrativa. Sem dúvida que é um projecto nobre, no entanto, os valores da "pluralidade, rigor, isenção e honestidade" que tanto apregoa, deveriam ser usados em todas as situações e não só aquelas em que "malhar" em Lisboa é a palavra de ordem. Por exemplo, quando os seus iluminados opinadores ironizam com a ajuda da Câmara Municipal da capital ao Benfica, convinha lembrarem-se da condenação do ex-presidente da Câmara Municipal do Porto por beneficiar o Boavista FC ou da nebulosa execução do Plano Pomenor das Antas em que o FC Porto foi parte envolvida. Aliás, era bom dissertarem sobre o Centro de Treinos Olival-Crestuma e como foi parar às mãos desse mesmo clube. E se o futebol é um tema gasto, uma leitura às derrapagens financeiras na construção do Metro do Porto, da Casa da Música, e na ampliação do Aeroporto Francisco Sá Carneiro, seria interessante. Como ninguém lhes deu foral para falarem em nome do norte, só posso pensar que essa maneira complexada de fazer jornalismo é uma forma de promoção pessoal e visibilidade que deveria ser canalizada para eventos que substituíssem a perda do Red Bull Air Race afim de evitarem o perigo de se tornarem num jornal local.




Segunda-feira, 1 de Fevereiro de 2010
Més que un club

 

 

Desportivamente falando, o Barcelona é conhecido pelo lema "més que un club" - mais que um clube. Se quiséssemos fazer um paralelismo no resto do mundo chegaríamos à conclusão que também ficaria bem atribuir este epíteto ao SL Benfica. Não que a instituição portuguesa tenha intuitos regionalistas, mas antes, a representação de um povo, do ser português, a personificação do fado lusitano, da saudade e, do emigrante que não renega as suas origens. Os catalães ajudam anualmente a Unicef, enquanto que o Benfica, através da sua recém-criada Fundação, associou-se à ONU, canalizando a receita do Jogo Contra a Pobreza para as vítimas do Haiti. Porque o Benfica tem uma matriz popular, social, solidária, à imagem da epopeia na construção do seu antigo Estádio, através de Joaquim Bogalho. Para se ser "mais do que um clube", é imprescindível deixar marcas fora das "quatro linhas", numa época em que o egoísmo e a crise financeira internacional assumem proporções gigantescas sem que o Estado tenha capacidade de resposta.




Quarta-feira, 27 de Janeiro de 2010
O senhor entretenimento

 

Júlio Isidro não é somente um mero apresentador de televisão. Deu cartas na rádio – autor de programas arrebatadores como a “Febre de Sábado de Manhã” – realizador, guionista e produtor. A vida de Júlio confunde-se com a da RTP, pulverizando audiências com programas como o “Passeio dos Alegres”, onde, injustamente, nunca teve um vínculo laboral. Tinha a ideia romântica de que um programa faz-se com qualidade, perfeccionismo, nunca com o pensamento obsessivo em audiências, numa época em que  a reunião de toda a família em volta da televisão era sagrada. Aos 65 anos e com 50 anos de carreira, dedica-se ainda à literatura infantil - um fascínio que nunca escondeu – e à sua outra grande paixão que se chama aeromodelismo. Espero que o homem que  melhor entretenimento faz em  Portugal, como deveria ser reconhecido, continue a ter a veleidade de fazer sonhar as gerações vindouras como fez com a minha.

 

 




Quarta-feira, 20 de Janeiro de 2010
Patético desespero

 

Como é que alguém condenado pela justiça desportiva  - por um órgão jurisdicional que exerce o poder público delegado pelo Estado – continua a ignorar esse castigo, debitando ofensas contra outros clubes, confundindo responsabilidade desportiva com a civil? Não obteve absolvição desportiva e viu mesmo o seu clube do qual é presidente ser castigado, mesmo assim, com a presunção que lhe é conhecida, vem arvorar-se em paladino da honestidade por terem sido arquivados todos os processos criminais exigindo uma investigação que ele designa por “apito encarnado”. Tal satisfação só é comparável ao facto de as escutas telefónicas terem sido declaradas inválidas em processos disciplinares desportivos... O nervosismo do senhor Pinto da Costa é evidente: fechando-se a torneira dos milhões da Liga dos Campeões, a gestão do seu clube ficará seriamente ameaçada. Aliás, era interessante explicar aos seus consórcios o motivo do FC Porto apresentar resultados financeiros nada favoráveis, mesmo com as vendas lucrativas de jogadores. Em contrapartida, o seu maior rival que está na frente do campeonato, dá espectáculo, enche estádios, bate recordes em número de sócios, lança um canal televisivo, inventa novas formas de financiamento e, mais importante do que tudo, falta pouco para o Benfica voltar a deter os seus direitos televisivos e cedê-los pelo preço que efectivamente a sua gigantesca massa de adeptos merece.

 




Segunda-feira, 11 de Janeiro de 2010
Feios, porcos e maus

 

 

Aquilo que parecia ser uma homenagem a José Pedroto, 25 anos após a sua morte, pelo presidente do FC Porto, transformou-se num discurso incendiário com sinais de sobrenatural, desrespeitando a presença de amigos e familiares do antigo treinador em prol do odioso inimigo vermelho. Temo, porém, que o discurso perante tão estimado auditório serviu para expurgar pecados passados em que ambos foram unha com carne: a insubordinação perante Américo de Sá, no famoso "verão quente", os ataques insultuosos a Mário Wilson, a vergonhosa intimidação da Selecção Nacional, na estação de Campanhã, utilizada como arma de arremesso numa ridícula guerrilha Norte-Sul. A constante diabolização de "Lisboa a arder" valeu a união e o apoio mútuo entre sportinguistas e benfiquistas, na temporada de 79/80, onde venceram campeonato e taça, impensável nos dias de hoje. Porque movimentos descentralizadores, regionalistas, apesar de terem razão de existirem numa perspectiva de desenvolvimento, não são consentâneos com discursos brejeiros, revanchistas, que se traduzem num complexo de inferioridade bolorento.




Terça-feira, 5 de Janeiro de 2010
Desterro eclesiástico

 

http://tv1.rtp.pt/noticias/?t=Conego-da-Se-do-Funchal-deslocado-apos-denuncia-de-pobreza-na-Madeira.rtp&headline=20&visual=9&article=307358&tm=8

 

Ao fim de dezoito anos de dedicação pastoral, a diocese do Funchal transferiu o cónego Manuel Martins para outra paróquia da Madeira, alegadamente a pedido do próprio. Aparentemente, tratava-se de uma situação normal, no entanto, é bom recordar o passado do padre - crítico com o aumento da pobreza na ilha e, consequentemente, com o governo regional.  De um simples pregador de valores cristãos, tornou-se numa voz incómoda e denunciadora de injustiças sociais. No fundo, é este amor ao próximo que o cristianismo não deveria menosprezar e, muito menos, imiscuir-se com governos déspotas, que fazem lembrar os tempos de concordatas político-religiosas entre o Estado Novo e a Igreja onde o cinismo ditava leis.




Quarta-feira, 30 de Dezembro de 2009
Sensibilidade e bom senso

 

Nem quero imaginar pelo que estão a passar os clientes do BPP, sem acesso às suas contas desde 2008. No entanto, convém distinguir aqueles que se dirigiram ao banco para fazer um simples depósito a prazo - sendo enganados pelo engodo das taxas de juro elevadas -, e outros clientes que fizeram "aplicações de capital garantido", com o respectivo risco daí inerente. Enquanto que no primeiro caso o Estado protege os cidadãos através do Fundo de Garantia de Depósitos, é ao banco que cabe a responsabilidade do retorno garantido, mesmo em caso de falência. Sendo assim, não pode ser só o Estado, à custa do erário público, a ressarcir os lesados, mas transferir para os antigos administradores, investidores e accionistas, essa tarefa.

 

 

 

 

 

 

 

 

 




Quarta-feira, 23 de Dezembro de 2009
E pluribus unum

 

 

 

 

Saíram goradas as expectativas daqueles que tinham a certeza de que o Benfica cairia na classificação do campeonato nacional de futebol no final de Dezembro. Os dias que antecederam o último jogo com o FC Porto revestiram-se de chorrilhos arrogantes por parte do adversário, de que a vitória deste era um facto consumado. Profetas da desgraça travestidos de comentadores desportivos e cartomantes que adivinhavam o onze encarnado, alinhavam-se com os fazedores de notícias em que elementos ligados ao Benfica tentaram agredir e intimidar presidentes de outros clubes bem como árbitros. Como não bastasse o circo montado, na jornada anterior, em Olhão, uma equipa local estranhamente aguerrida amputou o Benfica de importantes atletas. No Domingo passado, a trupe falhou redondamente porque simplesmente menosprezou o dístico da bandeira encarnada - "E pluribus unum" - um entre muitos; uma simbiose de união, esforço, garra e sacrifício que catapultou a vitória.




Sexta-feira, 18 de Dezembro de 2009
O negativismo português

 

 

 

Reconheço a competência de Medina Carreira no âmbito da fiscalidade e economia, tendo sido mesmo Ministro das Finanças. Também por isso, não deveria ser tão deselegante nas críticas que faz à política, ainda para mais como ex-membro do partido socialista. O discurso que roça o insulto, de botabaixismo constante , convence hordas de seguidores desiludidos com o estado actual da política portuguesa. Denota ainda que o país está pior do que na década de 70, no capítulo da justiça, educação e finanças, o que obviamente não está. O seu tempo de antena é de puro show off, espécie de circo onde não existem medidas regeneradoras nem tampouco ideias inovadoras e em que toda a gente é catalogada de incompetente. Acho que o problema é, como diz Mário Soares, "o facto de vivermos em democracia sendo moda dizer mal da política porque não tem consequências negativas pessoais para os críticos nem para os maldizentes."

 




Sábado, 12 de Dezembro de 2009
Uma verdade dolorosa

As palavras do seleccionador brasileiro de futebol, Dunga, chamando à sua congénere portuguesa de "Brasil B", irritou os mais pudicos, até aqueles que, ironicamente, regaram com champanhe os desaires de Portugal contra a Grécia no Euro 2004 - os que Scolari mandou bugiar. Mas porventura Dunga disse alguma mentira? Não foi a Federação Portuguesa de Futebol que transformou a Selecção num protectorado brasileiro que mal sabe cantar o hino nacional, ou estará mais preocupada em agradar aos patrocinadores que lhe enchem os cofres de milhões em detrimento da identidade desportiva do seu próprio país? O estatuto de utilidade pública desportiva que goza deveria ser suficiente para se pôr a jeito de não ouvir estes sarcasmos, limpando a imagem do futebol nacional, afectada por "apitos", deixando de lado a subserviência a certos clubes e a reverência a certos homens do futebol de índole duvidosa.




Sábado, 5 de Dezembro de 2009
O senhor atletismo

 

 

 

Agradeço ao saudoso jornalista Jorge Lopes o facto de ter incutido na mente de muitos portugueses, como eu, o gosto pelas mal amadas modalidades desportivas, em particular, a menina dos seus olhos - o atletismo. A sua preparação para estes eventos era extraordinária, dum rigoroso profissionalismo e competência que deve fazer corar de vergonha grande parte dos actuais jornalistas desportivos. Imortalizou os feitos olímpicos de Carlos Lopes, de Fernanda Ribeiro e de Nélson Évora, vibrando intensamente com cada medalha conquistada, por cada feito relevante do atleta português. Pode ter morrido um campeão mas não desapareceu de nós esta paixão pelo atletismo que o Jorge ajudou a florescer.




Quinta-feira, 26 de Novembro de 2009
Demência laboral

 

Uma fábrica que transforma subprodutos animais decidiu multar os seus trabalhadores se trouxerem a barba por fazer. Duvido que neste regulamento interno tenham sido ouvidos a comissão de trabalhadores ou as comissões sindicais, conforme o Código de Trabalho aconselha, como também acho estranho a administração já ter vindo a público dizer desconhecer esses comunicados. Será certamente um lapso da sua organização interna, semelhante ao imbróglio da atribuição da sua licença ambiental...

 

Não deixa de ser irónico que, a empresa que mais inferniza a vida das populações dos concelhos da Trofa e da Maia - através do odor pestilento que exala para a atmosfera -, vir preocupar-se com a quantidade de pêlos faciais dos seus empregados, como isso fosse sinónimo de sujidade. Já sabia que alguns enriquecem à custa da exploração animal, só não sabia que também já se enriquece à custa da violação da lei laboral e da flexibilidade.

 




Quinta-feira, 19 de Novembro de 2009
Símbolos religiosos e a liberdade individual

 

 

 

A deliberação do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, em Estrasburgo, contra a presença de crucifixos nas salas de aula, foi encarada pelo Vaticano e pelo clero português como uma perseguição ao cristianismo. Mais realista, o cardeal patriarca de Lisboa disse que não foi a Igreja que colocou os crucifixos nas escolas, ou seja, compete aos governantes fazer cumprir a lei expressa na Constituição da República - a separação entre credos religiosos e o Estado, no nosso caso, laico. Mais recente, a Lei da Liberdade Religiosa é taxativa: o Estado não pode propagandear ou adoptar qualquer religião. Numa sociedade cada vez mais multicultural, não tem sentido que a maioria e a tradição imponham a sua vontade, oprimindo o direito à diferença. Não serão os símbolos religiosos uma espécie de evangelização forçada em estabelecimentos públicos como escolas e hospitais e, consequentemente, uma castração da liberdade individual?




Quinta-feira, 12 de Novembro de 2009
Simplesmente, Robert

 

 

 

Robert Enke veio para o Benfica para substituir o extraordinário Michel Preud'homme e não defraudou as expectativas. Pelo seu talento e qualidade foi chamado à selecção alemã, lugar por onde passaram grandes lendas como Harald Schumacher. Terá vivido os dias mais felizes em Lisboa, longe de imaginar a tragédia que iria irremediavelmente afectar a sua vida e da família. Apesar da sua juventude, a adaptação a um novo país e a falta da conquista de títulos desportivos, nunca foi impedimento para dar todo o seu empenho e profissionalismo dentro do campo. Fora dele, era o expoente máximo de bondade, pois dividia-se entre projectos de solidariedade e o amor aos animais, sem esquecer as preocupações com o meio ambiente. Guardarei na memória a chegada à Portela de um Homem com cara de menino, à procura da glória num clube enorme, tão grande como o seu coração.




Terça-feira, 10 de Novembro de 2009
A crise anunciada

 

 
 
 
A crise do Sporting CP não é somente devido às más políticas desportivas mas também devido ao resultado dos dividendos do plano Roquette, denunciado por João Rocha - uma aliança com o amigo FC Porto visando apear o Benfica dos títulos nacionais. Aliás, se reflectirmos bem, o alvo da fúria leonina é sempre o vizinho da 2ª Circular, comprovado pelos discursos miserabilistas do seu presidente, a caminho de ser o mais incompetente da história do Sporting. Um certo aburguesamento dos seus responsáveis e a mania de pensarem que são diferentes, levam o clube a ser relegado para 3º grande de Portugal. O Sporting deve continuar a apostar nos seus escalões jovens de formação, na profissionalização da sua estrutura futebolística - inovando, de forma a arranjar novas fontes de receitas e blindando o clube afim de evitar guerrilhas internas, possibilitando a união de todos os sportinguistas em prol dos objectivos traçados.



Sábado, 7 de Novembro de 2009
O patrão português

 

http://sic.sapo.pt/online/video/informacao/NoticiasDinheiro/2009/10/van-zeller-diz-que-nao-deve-haver-aumento-do-salario-minimo.htm

 

As palavras do Eng. Van Zeller, Presidente da Confederação da Indústria Portuguesa, de que "os salários baixos são necessários para 25% das nossas exportações", opondo-se veementemente ao aumento do salário mínimo, é de quem fala de barriga cheia, pois não se encontra entre aqueles 300 000 trabalhadores que auferem 450 euros mensais.

O senhor saberá que a maior parte dos patrões portugueses tem uma baixa escolaridade aliada a uma ainda pior qualificação profissional? Não será isto o verdadeiro entrave ao desenvolvimento empresarial do mundo moderno e às consequentes exportações que tanto apregoa? No país dos patrões e dos doutores, é bom relembrar que o mero trabalhador é o dínamo de qualquer empresa, e também por isso, deve ser condignamente pago e motivado. 

Travestido de "quadro superior", o patrão português almeja ser um empresário de sucesso - com um ar sério e a característica gravata da moda -, mas o que melhor consegue fazer é aumentar o fosso entre os salários dos trabalhadores e os de topo. Resquícios do Estado Novo onde faltam-lhes destreza, criatividade, inovação,  e fundamentalmente, empatia.

             

 

 




Terça-feira, 3 de Novembro de 2009
O regresso do túnel da vergonha

 

 

O País entrou em êxtase com a derrota do Benfica em Braga, a contar para o campeonato nacional de futebol. O País? Não, talvez os adeptos do 2º maior clube nacional: os anti-benfiquistas. Sei que 200.000 sócios devem fazer doer a cabeça a muito boa gente e reduzem alguns à sua pequenez, mas não sabia que na cidade dos Arcebispos se tomavam as dores dos outros. Os caciques do futebol nacional que se cuidem: a mística encarnada que enche estádios está de volta, pronta a triturar esta espécie de aspirantes a papas que fazem do desporto uma guerra e que criam ambientes de inspiração siciliana. Quero acreditar que o apito tendencioso calar-se-á, quando for exposto no exterior e cair no ridículo. Com ele, os lacaios de serviço espalhados pelas diversas áreas da sociedade, agudizarão a caminho do exílio. Portanto, rejubilem enquanto podem...




Terça-feira, 27 de Outubro de 2009
Os cobardes do pelotão

 

 

http://tv1.rtp.pt/noticias/?headline=46&visual=9&tm=8&t=BE-e-familias-de-alunos-do-Colegio-Militar-alegadamente-agredidos-avancam-para-accao-conjunta.rtp&article=288775

 

Estalou o verniz no impoluto Colégio Militar devidos às alegadas práticas de violência física sobre os alunos mais novos daquela instituição. Enquanto uns pais retiraram de lá os seus filhos, outros manifestaram o seu apoio ao Colégio, quais virgens ofendidas. Não se lembram que a seguir podem ser os seus filhos, os alvos, mesmo entre miúdos oriundos de estratos sociais mais elevados. Talvez pensem que são intocáveis, a verdadeira elite da sociedade portuguesa à prova de escândalos. Espero que, à semelhança de outros estabelecimentos de ensino público, se castigue exemplarmente os agressores, de preferência, sem silêncios cúmplices, pois já se chegou à conclusão que para "ser homem" e bom cidadão não é necessário frequentar esses tipos de instituições nem ser exibicionista.

 

 

 

 

 




Sexta-feira, 23 de Outubro de 2009
Circos sem animais

 

 

 

Só perca por tardia a entrada em vigor da nova lei que proíbe o uso de algumas espécies animais em circos. Seja em que local for, a dignidade animal não é compatível com o seu exibicionismo e exploração. Grande parte dos circos modernos já não utilizam animais nos seus espectáculos usando para isso a teatralidade e as artes circenses, verdadeiras géneses do circo. Profissionalizando esses artistas circenses e inovando o sector, estão criadas as condições para que todos os animais desapareçam dos circos portugueses. É importante a consciencialização dos mais novos para que se acabe também com espectáculos deprimentes como as touradas. Como diria Axel Munthe, "o animal selvagem e cruel não é aquele que está atrás das grades. É o que está na frente delas."

 

 




Domingo, 18 de Outubro de 2009
Um homem Nobel

 

 

 

O Nobel da Paz tem características diferentes dos restantes prémios atribuídos pela Academia Sueca. Desde logo, é atribuído em Oslo por um comité independente norueguês, laureando alguém ou alguma entidade que se distingue pela capacidade de resolver diplomaticamente diversos problemas, independentemente de ficarem concluídos ou não. Foi assim com Jimmy Carter, é agora assim com Barack Obama. Porque privilegia o diálogo e o bom senso entre os povos, porque ele próprio é o resultado da esperança e do sonho: ter sido o primeiro presidente afro-americano da história dos EUA. Um exemplo do idealismo norte-americano, ainda hoje cobiçado, abraçando causas como os Direitos Humanos e trabalhando internamente para um plano de reforma do sistema de saúde. Com Obama, voltaram as preocupações com o meio ambiente, com o desarmamento nuclear, com a desmobilização do Iraque e com a possibilidade do fim do embargo a Cuba. Apressou-se a condenar o golpe de Estado nas Honduras e a normalizar as relações institucionais com a Rússia, não esquecendo a tentativa de cativar o mundo árabe ao admitir a criação do Estado da Palestina , fundamental para a paz no Médio Oriente.

Negar isto, em menos de nove meses, é cair no discurso dos conservadores norte-americanos e de parte da esquerda europeia, recheada de tiques estalinistas.

 




Terça-feira, 13 de Outubro de 2009
Repúblicas e Monarquias

Mais importante do que saber qual será a forma de Governo mais apropriada - a Monarquia ou a República - é saber qual beneficia mais a sociedade, e neste aspecto, o voto, como opção de escolha, é decisivo para quem aprecia a democracia. Não que a monarquia não tenha tido sucesso em países do norte da Europa, mas nem todos os povos são culturalmente mentalizados para aceitarem dinastias hereditárias onde não existe limite de mandatos, no caso específico dos monarcas.

 

Também por isso, não se compreende como ultimamente têm surgido no nosso país movimentos de apoio à causa monárquica sem terem a mínima noção daquilo que professam. Talvez pensem que é chique a subalternidade ao rei ou a sede de protagonismo das suas acções levem as pessoas a pensar que realmente têm sangue azul.




Domingo, 4 de Outubro de 2009
Rio indomável

 

 

Rui Rio tem todas as condições para assumir o terceiro mandato à frente dos destinos da Câmara Municipal do Porto.

 

Vencerá, porque é inconcebível que a sua maior adversária à autarquia tenha já garantido um lugar como eurodeputada em Bruxelas, se eventualmente perder. Na sua cidade, a candidatura socialista associa-se ao clube de futebol mais representativo procurando apoios, fazendo lembrar a vergonhosa intimidade no passado entre a Câmara e o séquito portista. Corajosamente, Rio acabou com este feudo, com a promiscuidade entre a política e o desporto, e, claro, ganhou inimigos, muito deles dissimulados.  

 

Cáustico, incisivo, não se deixando amedrontar, cultivou uma imagem de líder, sendo legítimo apontá-lo como o futuro presidente do partido do seu coração, actualmente moribundo. Com uma carreira política exemplar ao serviço da social democracia arrisca-se a ser o novo rosto de oposição ao Governo, porque a batalha na cidade, contra tudo e todos, está ganha há muito tempo.




Sábado, 26 de Setembro de 2009
Descriminação no andebol
O andebol português vive uma situação "sui generis". José António Silva, docente da Faculdade Desporto Universidade do Porto e actual treinador da equipa profissional do Benfica, está impedido de acumular as duas funções, o que não se compreende visto o professor ter passado pela mesma situação anteriormente, gozando da respectiva autorização por parte do presidente do conselho directivo e cumprindo todos os deveres perante aquela instituição de ensino. Não quero acreditar no facciosismo desportivo deste senhor nem imaginar que tenha um qualquer agendamento clubístico, mas não posso esquecer o seu constante achincalhamento ao clube encarnado em artigos de opinião publicados num jornal desportivo, onde é por demais evidente o seu comprometimento com o clube do seu coração, situado a norte. Que as autoridades competentes não pactuem com esta espécie de despotismo moderno, ou verifiquem se existe apenas um capricho vingativo, inadmissível numa instituição pública e prestigiada como é a FADEUP.



Sexta-feira, 18 de Setembro de 2009
Antiamericanismo primário

 

 

Com os ataques terroristas ocorridos nos Estados Unidos da América em 11 de Setembro de 2001, pensou-se que a luta contra o terrorismo iria entrar numa nova era, pois a partir dali nenhuma sociedade estaria imune a um eventual ataque.

Em vez disso, entrou-se num antiamericanismo rançoso, chegando-se ao ponto de dizer que a América estava a pôr-se a jeito para que aquilo acontecesse. É  este o discurso  de uma parte da esquerda europeia, ressabiada com a desagregação soviética e saudosa do Muro de Berlim, impulsionada pelos meios de comunicação social, alguns deles meros focos de intoxicação da opinião pública. Tamanho ódio e preconceito só é superado pela deliciosa ironia: a América, o país-continente, sempre na vanguarda do progresso tecnológico e civilizacional, onde existe a maior multiculturalidade de raças e credos, onde as minorias são uma voz activa na sociedade e a liberdade e a democracia atingem o expoente máximo. É o país que mais disponibiliza ajuda humanitária e financeira ao exterior e também aquele que acolhe o maior número de imigrantes em busca dos seus legítimos sonhos. 

O antiamericano contemporâneo adora o estilo de vida “yankee”: os filmes de Hollywood, a literatura, a música, os refrigerantes,  a “fast-food”, mas é incapaz de reconhecer isso porque é hipócrita. O despeito é tal que se branqueia o papel decisivo da América no desenlace da Primeira e Segunda Guerra  Mundial evitando que a Europa caísse num regime totalitário. Claro que nem tudo é perfeito,  o sistema de saúde  e, principalmente,  a sua política geo-estratégica, mais agressiva depois dos atentados. Diz Chateaubriand, “não há nada mais servil, desprezível, covarde e tacanho que um terrorista” - eu acrescento -,  e de que um antiamericano.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 




Quinta-feira, 3 de Setembro de 2009
Falência de identidade desportiva

 

 

A naturalização de mais um jogador de futebol estrangeiro pela nossa Selecção Nacional é mais um rude golpe na identidade desportiva do nosso país, e acima de tudo, um retrocesso no modelo dos escalões de formação.

Não se percebe esta incoerência, ainda para mais dado o currículo do seleccionador nacional, o impulsionador da chamada jovem “geração de ouro” de Riade e Lisboa.

O processo de naturalização foi tão rápido e conveniente que fez corar de vergonha os trabalhadores imigrantes do nosso país. Critica-se em surdina esta naturalização e outras do passado,  dentro da incompetente FPF e entre colegas da mesma profissão enquanto o público demite-se de apoiar esta Selecção com sotaque pois ainda sabe o significado da palavra ética.

 




Sexta-feira, 28 de Agosto de 2009
O sonho americano

 

Com a morte do senador Edward Kennedy, fechou-se mais um capitulo da dinastia política desta família, marcada pela tragédia e os escândalos, mas mais importante, modelo do idealismo e da concepção do sonho americano.

 

Todos os irmãos foram expoentes do liberalismo norte-americano, partilharam o mesmo legado: a democracia, inclusive morreram em nome dela. A ambição política progressista era correspondida com triunfos retumbantes, dados pelas minorias sem voz, pelos imigrantes e injustiçados, no fundo, a possibilidade de todos acreditarem novamente na América, pelas mãos de três grandes estadistas.




Quarta-feira, 12 de Agosto de 2009
A vida num palco

 

Não sendo eu da geração de Raúl Solnado, sei a perda irreparável que o seu desaparecimento provocou, numa época em que a comédia se confunde com o insulto brejeiro. O actor aprendeu com os melhores - João Villaret, António Silva e Vasco Santana -também por isso, merece estar na galeria dos imortais. Imaginemos a audácia e a inteligência de ridicularizar o Antigo Regime e os seus tabus, contornando a censura, utilizando jogos de palavras  numa encapotada infantilidade.  Foi um homem solidário que deu tudo pelo teatro, muitas vezes colocado acima dos interesses familiares.




Quarta-feira, 5 de Agosto de 2009
O músico poeta

Quando passam 80 anos sobre o nascimento do músico José Afonso, é bom relembrar às actuais gerações quem foi o genial poeta que renovou o conceito de música popular portuguesa.

Mais do que um mero activista de esquerda, lutou pelos oprimidos com total desprendimento material. Era um homem simples, dispensava a formalidade do traje académico e o estatuto de vedeta. Adorava o contacto com a natureza, e acima de tudo, o conceito de liberdade, pois só assim se pode explicar a sua não filiação em partidos políticos e a consequente imposição de amarras ideológicas.

Nunca esqueceu o grande amor da sua vida - Coimbra. Foi detido várias vezes e impedido de praticar a docência só porque manifestava a sua opinião crítica. Mas como disse o Zeca, "não me arrependo nada do que fiz".

 

 

 




Sexta-feira, 31 de Julho de 2009
Jornalista sem medo

 

http://tv1.rtp.pt/noticias/?headline=20&visual=9&tm=3&t=Morreu-Rui-Cartaxana.rtp&article=234556

 

Rui Cartaxana não foi apenas um jornalista desportivo nem um mero ajuntador de letras. Foi uma figura de referência no jornalismo português e pioneiro na modernização da imprensa desportiva contribuindo para a profissionalização do sector.

A sua independência editorial era um sinal dos seus valores e princípios que sempre defendeu, mesmo que entrasse em choque com o seu clube do coração. Talvez fosse o fervilhar do seu sangue africano - indomesticável - contrastando com a atitude de colegas de outras redacções, comodamente silenciosos, avessos a polémicas e bajuladores.

Com o Rui, desapareceu o jornalismo crítico afrontador do poder, porque não dizer romântico e ousado. 

 

 




Segunda-feira, 27 de Julho de 2009
Escrita e vida inseparáveis

 

 

Ao fim de trinta e quatro anos, Manuel Alegre sai do parlamento mas com a sensação do dever cumprido como deputado. Ao contrário de muitos, foi fiel aos seus mandatos, não acumulando a função parlamentar com cargos nos sectores privado e público. O seu percurso académico, ligado ao movimento estudantil contestatário do Antigo Regime, traçou-lhe o destino. O exílio não lhe calou a voz nem a sua poesia, inspirando cantores de intervenção como José Afonso. Um homem intenso, de causas, que não hesitava entrar em conflito ideológico com o partido para não desapontar os cidadãos. Alegre diz que a escrita e vida são inseparáveis, eu digo que a democracia e a liberdade andam de mãos dadas.




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