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DYLAN´S WORLD

"Fui à floresta viver de livre vontade, para sugar o tutano da vida. Aniquilar tudo o que não era vida. Para, quando morrer, não descobrir que não vivi". (Henry David Thoreau)

DYLAN´S WORLD

"Fui à floresta viver de livre vontade, para sugar o tutano da vida. Aniquilar tudo o que não era vida. Para, quando morrer, não descobrir que não vivi". (Henry David Thoreau)

O síndrome provinciano

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Já não suporto esta guerra Norte-Sul, agora por causa da decisão do Governo para que o Infarmed vá para o Porto. Ao centralismo de Lisboa responde o Porto como de costume, olhando para o seu umbigo. O país precisa de uma descentralização mas o Norte também pois a região não termina no Douro - é Braga, Vila Real, Viana do Castelo, Bragança, distritos que não têm aquelas figurinhas políticas e desportivas coladas à antena da boa imprensa e à espera do clarão fotográfico. Enquanto o interior agudiza, é insultuoso assistir aos egos de Lisboa e Porto sobre quem tem direito a melhores aeroportos, pontes, transportes públicos, eventos culturais e fundos comunitários. Como diria Fernando Pessoa, "o síndrome provinciano é o entusiasmo e admiração pelos grandes meios e pelas grandes cidades", rivalidades que atrasam o país.

Os renegados

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O Benfica é um clube extraordinário: permite que uma pessoa insolvente publique um livro, mesmo falando mal do emblema, de modo a ajudá-la a pagar o que deve! Enquanto o credor esfrega o olho, perdão, as mãos, escreve-se um livro baseado em correspondência electrónica roubada. O "Zé Cabra" da escrita aliou-se a um blogueiro doutorado em História mas parecem renegar factos passados, por isso eu sugiro um título para a 2ª edição do livro que acabe com tanto puritanismo: "Fruta para dormir, rebuçado e café com leite", "A creolina nos balneários", "O Famoso Guarda Abel", "Mandei um árbitro para o Brasil", "Fuga para Vigo", "Uma aventura no Centro de Treinos dos Árbitros e na casa de suas famílias",  "Largos dias têm quinhentinhos", "Sabes que o melhor está para vir quando te sentares num tribunal", e "Sei o que tens feito há mais de trinta anos"!

Telhados de vidro

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Depois do "funcionário do ano" ter divulgado emails mencionando a suposta existência de uma rede de influência do Benfica sobre estruturas de decisão do futebol para influenciar a arbitragem em Portugal, sabe-se agora que também o director-geral do FC Porto está a ser investigado por "factos susceptíveis de integrarem o crime de corrupção no fenómeno desportivo". O ditado nunca falha: "quem tem telhados de vidro não atira pedras ao do vizinho". Por outro lado, gostava de ver a reacção dos caçadores de bruxas do futebol português, aqueles coscuvilheiros e justiceiros da Internet dos tempos modernos que pirateiam criminalmente correio electrónico privado deturpando-o e publicando-o fora do contexto, bem como o destaque dado por alguma comunicação social que participa neste voyeurismo e só rasga as vestes consoante a cor da camisola do clube.

Despojos da revolução

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100 anos depois, a revolução marxista russa continua ser festejada por muita gente. Dá um certo ar romântico "lutar pelo proletariado", evitar "a exploração do homem pelo homem", berrar por uma sociedade igualitária, mas quando se espreme a história do comunismo resta uma ditadura totalitária sobre o povo, uma exploração dos ditadores sobre o homem e uma repressão sobre os direitos cívicos e individuais das pessoas. Nem vou falar nos milhões que pagaram com a própria vida tamanha tirania, é sim altura de homenagear historicamente aqueles que acham que o melhor regime político é a liberdade: os heróis da Praça de Tiananmen, os corajosos que saltaram e retalharam o Muro de Berlim, os audazes prisioneiros políticos chineses, cubanos e venezuelanos, e personagens valentes como Lech Walesa e Vaclav Havel.  

Incendiários

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Continuam os incêndios fora de época, pirómanos que gostam de ver  arder o país noutras áreas. No futebol, Bruno de Carvalho gaba-se da sua educação e disponibiliza-se a dar algumas cadeiras de ética aos dirigentes desportivos - lembrei-me logo dum incendiário a dar aulas a um bombeiro! Na política, Assunção Cristas aproveita-se dos fogos para chamuscar o Governo, esquecendo-se que foi ela, enquanto ministra da Agricultura, em 2013, responsável por uma política que facilitou a plantação de eucaliptos em Portugal. Por fim, na justiça, um juiz, invocando a Bíblia, atribuiu somente a pena suspensa para um sádico que agrediu violentamente a mulher com uma moca de pregos, porque a sociedade vê com alguma compreensão a violência exercida pelo homem traído. Debalde, pôs a opinião pública em labaredas, calcinou a justiça portuguesa e candidatou-se a um lugar num tribunal fundamentalista islâmico!

O Triunfo dos Porcos

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Adoro animais e já fiz muitas loucuras por eles mas não posso concordar com a nova lei da entrada de animais de estimação em restaurantes. Isto ultrapassa o bom senso e já parece a fábula de Orwell, "O Triunfo dos Porcos", quando os animais passam a tomar decisões em detrimento dos humanos e onde o "animalismo" triunfa sobre uma uma sociedade de modas, pois quem não concordar e "ande sobre duas pernas é o inimigo". Quanto ao PAN, partido que lançou esta proposta, devia preocupar-se com o bem-estar dos animais que foram afectados pelos incêndios de Junho e Outubro, os feridos e perdidos, ou fazer alguma coisa para garantir a alimentação adequada aos que sobreviveram já que as pastagens foram consumidas pelo fogo, pois estão a dar a impressão que "todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais do que outros..."

Catalunha para totós

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Vou tentar explicar a situação da Catalunha numa espécie de manual para totós. Imaginemos a ilha da Madeira, que goza de uma autonomia política, administrativa e financeira, a querer ser independente de Portugal, só porque meia dúzia de jardinistas lembrou-se de fazer um referendo ilegal onde apenas pouco mais de 40% do eleitorado votou. Queixam-se da "ditadura de Lisboa", dos "cubanos do continente", de andarem a subsidiar os pobres de outras regiões, apesar de terem uma dívida pública gigantesca. Não basta ter uma bandeira nem uma cultura própria para berrar pela autodeterminação, pois existem dezenas de regiões europeias nessa mesma situação e não está em causa nenhuma opressão nem perseguição, não faz sentido apelar à liberdade e democracia quando são os próprios catalães a erguer fronteiras, a isolarem-se, pois há muito que o patriotismo orgulhoso deu lugar a um perigoso nacionalismo. 

Inferno de Outubro

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Quatro meses após os catastróficos incêndios de Pedrógão Grande pensou-se que o inferno não ousaria voltar, puro engano, o mesmo regressou em Outubro e espalhou-se pelo norte e centro do país. Por muito que se goste deste Governo, algo está a falhar quando são as populações que se transformam em Protecção Civil, abandonadas e enfrentando os fogos. Num país que só se preocupa com Lisboa e Porto, que atrasa a sua Reforma Florestal, que refloresta terrenos com eucaliptos visando o lucro comercial, está sujeito a entrar em combustão e a sumir do mapa. Fala-se de quem ganha com os fogos: madeireiros, imobiliárias, reservas de caça associativa, de empresas privadas contratadas para combater incêndios, mas como diz o outro no sketche, "falam, falam, falam, e eu não vejo ninguém a fazer nada"!

Prioridades

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Olhei para a televisão de soslaio, dizia que a Câmara Municipal de Oleiros tinha investido largos milhares de euros, só não consegui ler aonde. Tinha a esperança que este dinheiro fosse aplicado na reabilitação do Pinhal Interior, zona tão fustigada pelos catastróficos incêndios do último verão, talvez um plano que fomentasse o desenvolvimento económico da área ou uma medida que menorizasse o sofrimento de pessoas que perderam tudo. Qual não é o meu espanto quando acabo de ler a notícia completa, afinal as prioridades eram outras: a Câmara vai financiar obras de renovação do Estádio Municipal que habitualmente se encontra às moscas só para que uma associação local receba um clube grande numa eliminatória da Taça de Portugal em futebol!  

O legado de Passos Coelho

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Dá impressão que os eleitores quiseram dar uma vassourada no PSD nestas eleições autárquicas e os candidatos associados ideologicamente com o partido levaram por tabela. Já foi tarde, devia ter sido em 2015, por ocasião das Legislativas, mas mais vale tarde do que nunca - os portugueses afirmaram que não querem voltar aqueles anos de brutal austeridade porque afinal havia alternativa. O legado de Passos Coelho não é para esquecer, é um compêndio daquilo que não deve ser a social democracia pois manda-nos emigrar, sermos menos piegas, até porque "estar desempregado pode ser uma oportunidade". Nem de propósito: agora que não se recandidata à liderança do PSD, tem a oportunidade de ser um carácter solidário e pôr em prática a filosofia política que ensinou ao serviço da sua vida pessoal!

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